Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Carta ao editor sobre a situaçao em Honduras

Saiu na edição desta sexta-feira, 10 de julho de 2009, uma carta ao editor que eu escrevi ao Washington Post:


Yearning for a Stable Democracy in Honduras

With the news that Costa Rican President Oscar Arias is willing to mediate the situation in Honduras [news story, July 8], the political tensions stemming from the June 28 ouster of Honduran President Manuel Zelaya are easing. The Obama administration has finally realized that blindly supporting Mr. Zelaya would represent a clear disapproval of the legitimacy of Honduras's democratic institutions, its constitution and its people.

As a native of Brazil who is familiar with Latin America's history of political instability, I regret that the international press has distorted the events in Honduras. The enemies of democracy have tried to sell the idea that it was just another military coup. However, Mr. Zelaya is no different than his Venezuelan counterpart, Hugo Chávez, who also has been attempting to use democratic means to subvert democracy.

Hondurans said "Enough!," and they deserve the support of those who are really committed to democratic principles.

FÁBIO OSTERMANN

Arlington

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Por que os juros no RS são os mais altos do Brasil?

Do blog Law and Economics

Por que juro é mais alto no Estado

Questionamentos judiciais ainda fazem gaúcho pagar taxa maior

ZEROHORA.com

Por trás dos juros que os gaúchos pagam ao fazer um financiamento, está o peso que os bancos e financeiras atribuem a uma peculiaridade do Estado: o Rio Grande do Sul permanece campeão em número de ações judiciais que questionam as taxas cobradas nos contratos. Por causa disso, o crédito é mais caro no pampa do que no resto do país. Mas, segundo a Justiça, isso começa a mudar.

Na pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o Rio Grande do Sul tem a maior taxa média mensal entre os sete Estados pesquisados, com uma diferença de 18,7% para São Paulo, o mais baixo do país. Em um ano, o efeito é perceptível (veja exemplo). Segundo Miguel de Oliveira, vice-presidente da entidade, os bancos e financeiras avaliam correr um risco maior pelo fato de o Estado ter muitas ações judiciais alegando que as taxas são abusivas.

– Existe uma indústria de ações revisionais no Estado. Essa situação atinge sobretudo o financiamento de automóveis e motocicletas porque, enquanto corre a ação, o consumidor pode ficar de posse do bem – explica Felicitas Renner, representante no Estado da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).

– Assim como existe o Risco Brasil, há o chamado Risco Gaúcho, decorrente do grande número de questionamentos judiciais que estimulam a insegurança jurídica, repassada para toda a cadeia de juros – afirma o economista Leandro de Lemos, professor do curso de Economia da PUCRS.

Para bancos e financeiras, as decisões favoráveis aos questionamentos concedidas pelas 13ª e 14ª Camara Cível do Tribunal de Justiça estimulam a chamada indústria das revisionais. O desembargador da 14ª Camara Cível do Tribunal de Justiça, José Luiz dos Reis Azambuja, entretanto, afirma que essa situação começa a mudar:

Zero Hora – Bancos e financeiras alegam que o juro é mais alto no Estado por causa do número de ações revisionais que encontram guarida na 13ª e na 14ª Câmara.

Desembargador José Azambuja – Essa afirmação talvez esteja relacionada a um momento anterior, quando havia um posicionamento diferente dessas duas câmaras. Mas há outras câmaras que também julgam ações desse tipo. No caso da 13ª e da 14ª, os processos se referem a bens com alienação fiduciária, como o financiamento de veículos, em que o financiado tem a posse do bem que, na verdade, pertence ao financiador.

ZH – O que mudou?

Azambuja – Até dezembro do ano passado, ambas tinham um julgamento contrário ao do STJ (Superior Tribunal de Justiça), contrário à limitação de juros a 12% ao ano por entender que essa é uma competência de mercado. O STJ entende que tem de haver clara demonstração da abusividade da taxa. Agora, a 14ª passou a ter o mesmo entendimento do STJ e mudou o enfoque. A 13ª fez alteração parcial de enfoque.

ZH – O senhor concorda que o antigo posicionamento estimula a chamada indústria da revisional?

Azambuja – Em minha opinião, penso que o negócio estava desandando ladeira abaixo. A turma comprava um carro e entrava na Justiça antes de pagar a primeira prestação. Estavam se aproveitando de uma situação e, aí, o Judiciário acabava servindo para acobertar falcatruas.



Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Brasil liberal?

Pra quem acredita naquela ladainha de que o Brasil é um exemplo do "fracasso das políticas neoliberais" (sic), recomendo que, dentre outras medidas (como ler uma listinha de livros ou buscar ajuda especializada), sugiro que dê uma lidinha neste post do Cláudio Shikida no blog do Ordem Livre.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

The 10 most decadent dictators

A Times conta um pouquinho da lamentável história de alguns dos mais estúpidos tiranos do século XX.



The 10 most decadent dictators



A revolving gold statue, pink champagne and a "Pleasure Brigade" of nubile retainers all feature in Times Money's list of history's most decadent dictators. While their people suffered, these men - and sometimes their wives and children - agonised over how best to spend their ill-gotten gains...

1. Kim Jong-il, "Dear Leader" of North Korea since 1994. The son of the communist state's "Great Leader", Kim Jong-il has super-expensive tastes, with 17 palaces and collections of hundreds of cars and about 20,000 video tapes. On one state visit to Russia, he reportedly had live lobsters airlifted daily to his armoured private train. He is believed to spend around $650,000 a year on Hennessy VSOP cognac and maintains an entourage of young lovelies known as the "Pleasure Brigade"



2. Ferdinand Marcos, President of the Philippines, 1965 - 1986. The Second World War freedom-fighter turned kleptocrat secreted billions of dollars in overseas accounts. His wife Imelda, however, was the big spender, leaving 888 handbags and 1060 pairs of shoes in the Malacanang presidential palace when the family fled mob justice after Marcos was deposed. Her pricier purchases included the $51 million Crown Building and $61 million Herald Centre in New York and art by Michelangelo and Botticelli



3. Nicolae Ceausescu, President of Romania, 1967 - 1989. The "Genius of the Carpathians" was congratulated (by telegram) by Salvador Dali on his excesses, which included his use of a kingly sceptre. Despite an official salary of just $3,000, he found the cash for 15 palaces, a superb car collection, yachts, fine art and bespoke suits. Tens of thousands of homes were demolished to make space for his 1,100-room, 480-chandelier Palace of the Parliament in the capital, Bucharest



4. Saparmurat Niyazov, President of Turkmenistan, 1990 - 2006. The President for Life and "Turkmenbashi", or Father of all Turkmen, was at the centre of an awesome cult of personality. His vanity projects included a £6 million revolving gold-plated statue of himself in the country's capital, Ashgabat. He shifted around £3 billion to overseas accounts, renamed the month of January (after himself), banned beards and ordered that his musings be displayed alongside the Koran in mosques



5. Idi Amin, President of Uganda, 1971 - 1979. The "Lord of All the Beasts of the Earth and Fishes of the Sea", "Emperor of Uganda" and "King of Scotland" awarded himself the VC, or Victorious Cross, and CBE, or Conqueror of the British Empire. He also spent millions on a super-lavish lifestyle - maintaining a reported 30 mistresses as well as five wives and fathering at least 43 children. A typically mad-capped project was the creation of a personal bodyguard of bagpipe-playing 6ft 4in Scotsmen



6. Joseph Stalin, leader of the Soviet Union, 1922 - 1953. The "Gardener of Human Happiness" and "Brilliant Genius of Humanity" was celebrated in his lifetime in thousands of stylised statues and monuments erected across the Soviet Union - many of which were moved or destroyed in later "de-Stalinisation" drives. He also had a taste for palaces, booze and cigars and preferred to travel by armour-plated private train with a Tsarist-style entourage



7. Mohammed Reza Pahlavi, Shah of Persia, 1941 - 1979. The "King of Kings" and "Sun of the Aryans" spent a reported $100 million on celebrations for the 2,500th anniversary of the Persian monarchy in 1971, serving breast of peacock on Limoges china to dignitaries in a 160-acre tent city at Persepolis - close to poor villages. His superb collection of sports cars can be seen at the National Car Museum of Iran, alongside custom models by Mercedes-Benz and Porsche for his son, the Crown Prince



8. Saddam Hussein, President of Iraq, 1979 - 2003. The Baathist leader with a fondness for gold-plated bathroom fittings, and Kalashnikovs, rebuilt Babylon on kitsch rather than authentic lines, stamping each brick of the "reconstruction" with his own name in the manner of Nubachadnezzar, the ancient Babylonian king and conqueror of Jerusalem. His playboy eldest son Uday, meanwhile, kept a private zoo with lions and cheetahs at his Baghdad residence and owned a collection of 1,200 luxury cars



9. Mobutu Sese Soku, President of Zaire, 1965 - 1997. Siphoning his country's wealth into Swiss bank accounts was a speciality of the "All-Powerful Warrior", whose personal fortune was estimated at $5 billion in 1984 - then equivalent to Zaire's national debt. Mobutu's extravagances included palaces and pink champagne, yachts and shopping trips to Paris by chartered Concorde. His second wife Bobi Ladawa rivalled Imelda Marcos as a compulsive spender - with a reported 1,000-dress wardrobe



10. Suharto, President of Indonesia, 1967 - 1998. The former bank clerk embezzled more money than any other leader in history, according to Transparency International. In 1999, Time Asia put his family's wealth at $15 billion. Playboy son "Tommy" was the biggest-profile spender - lavishing money on cars and clothes and buying a majority stake in Lamborghini before a conviction for murder in 2002. Suharto's daughter "Tutut", meanwhile, spent $100,000 on one shopping flight to the US

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Uma imagem vale mais do que mil palavras

O velho clichê que intitula este post se aplica perfeitamente à situação ilustrada nesta imagem:




Ao final da Segunda Guerra Mundial, com a derrota do Japão, a Península da Coréia (sob domínio nipônico desde 1910)foi dividida, com base no paralelo 38ºN, em dois países: Coréia do Norte (sob a influência soviética) e Coréia do Sul (sob influência americana).

Alguns anos após a divisão, a Coréia do Norte (alcunhada pelos comunistas, mestres do duplipensar, como República Democrática da Coréia) resolveu enviar seu exército para além do paralelo 38, dando início à Guerra da Coréia.

Ao final da Guerra, após quase 2 milhões de mortos dos dois lados, o Sul sai como vencedor, mas tem perdas materiais imensas (já que a Guerra foi travada praticamente apenas abaixo do paralelo 38). Daquele ponto, poucos poderiam prever que, passados 50 anos, as diferenças seriam tão grandes entre dois países constituídos pelo mesmo povo, com basicamente os mesmos hábitos culturais, mesmas características geográficas.

Hoje, a Coréia do Sul, da destruição, da guerra e do subdesenvolvimento, ascendeu à posição de país luminoso,de economia pujante, desenvolvida, apresentando indicadores de bem-estar econômico e social incomparáveis a qualquer país no mundo onde se tenha buscado o desenvolvimento por vias alternativas ao capitalismo.

Já a Coréia do Norte, é um país que vive na escuridão (em todos os sentidos possíveis). Pouco se sabe sobre o que realmente se passa na maior prisão do mundo, exceto do contraste entre a permanente penúria em que vive o povo norte-coreano e a excêntrica abundância em que vive o "Querido Líder" Kim Jong-il.


P.S.: Mais fotos de satélite da Terra à noite podem ser vistas em aqui.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Not yours to give

Uma verdadeira lição sobre o papel do Estado e da caridade privada em uma sociedade livre. O texto é um pouco longo, mas vale muito a pena!


http://fee.org/nff/not-yours-to-give/
Not Yours to Give

By FEE
Published: 19 December 2008

In this tale an unidentified narrator relates Davy Crockett’s experience when he was a member of Congress (1827–31, 1832–1835). The story is slightly condensed from The Life of Colonel David Crockett compiled by Edward S. Ellis (Philadelphia: Porter & Coates, 1884).

First published as “A Sockdolager” in The Freeman, August 1961, “Not Yours to Give” has been a FEE favorite for more than 40 years, second in popularity only to “I, Pencil.”

Holders of political office are but reflections of the dominant leadership—good or bad—among the electorate. Horatio Bunce is a striking example of responsible citizenship. Were his kind to multiply, we would see many new faces in public office; or as in the case of Davy Crockett, a new Crockett.

One day in the House of Representatives, a bill was taken up appropriating money for the benefit of a widow of a distinguished naval officer. Several beautiful speeches had been made in its support. The Speaker was just about to put the question when Crockett arose:

“Mr. Speaker—I have as much respect for the memory of the deceased, and as much sympathy for the sufferings of the living, if suffering there be, as any man in this House, but we must not permit our respect for the dead or our sympathy for a part of the living to lead us into an act of injustice to the balance of the living. I will not go into an argument to prove that Congress has no power to appropriate this money as an act of charity. Every member upon this floor knows it. We have the right, as individuals, to give away as much of our own money as we please in charity; but as members of Congress we have no right so to appropriate a dollar of the public money. Some eloquent appeals have been made to us upon the ground that it is a debt due the deceased. Mr. Speaker, the deceased lived long after the close of the war; he was in office to the day of his death, and I have never heard that the government was in arrears to him.

“Every man in this House knows it is not a debt. We cannot, without the grossest corruption, appropriate this money as the payment of a debt. We have not the semblance of authority to appropriate it as a charity. Mr. Speaker, I have said we have the right to give as much money of our own as we please. I am the poorest man on this floor. I cannot vote for this bill, but I will give one week’s pay to the object, and if every member of Congress will do the same, it will amount to more than the bill asks.”

He took his seat. Nobody replied. The bill was put upon its passage, and, instead of passing unanimously, as was generally supposed, and as, no doubt, it would, but for that speech, it received but few votes, and, of course, was lost.

Later, when asked by a friend why he had opposed the appropriation, Crockett gave this explanation:

“Several years ago I was one evening standing on the steps of the Capitol with some other members of Congress, when our attention was attracted by a great light over in Georgetown. It was evidently a large fire. We jumped into a hack and drove over as fast as we could. In spite of all that could be done, many houses were burned and many families made houseless, and, besides, some of them had lost all but the clothes they had on. The weather was very cold, and when I saw so many women and children suffering, I felt that something ought to be done for them. The next morning a bill was introduced appropriating $20,000 for their relief. We put aside all other business and rushed it through as soon as it could be done.

“The next summer, when it began to be time to think about the election, I concluded I would take a scout around among the boys of my district. I had no opposition there, but, as the election was some time off, I did not know what might turn up. When riding one day in a part of my district in which I was more of a stranger than any other, I saw a man in a field plowing and coming toward the road. I gauged my gait so that we should meet as he came up to the fence. As he came up, I spoke to the man. He replied politely, but, as I thought, rather coldly.

“I began: ‘Well, friend, I am one of those unfortunate beings called candidates, and—’

“ ‘Yes I know you; you are Colonel Crockett. I have seen you once before, and voted for you the last time you were elected. I suppose you are out electioneering now, but you had better not waste your time or mine. I shall not vote for you again.’

“This was a sockdolager . . . I begged him to tell me what was the matter.

“ ‘Well, Colonel, it is hardly worth-while to waste time or words upon it. I do not see how it can be mended, but you gave a vote last winter which shows that either you have not capacity to understand the Constitution, or that you are wanting in the honesty and firmness to be guided by it. In either case you are not the man to represent me. But I beg your pardon for expressing it in that way. I did not intend to avail myself of the privilege of the constituent to speak plainly to a candidate for the purpose of insulting or wounding you. I intend by it only to say that your understanding of the Constitution is very different from mine; and I will say to you what, but for my rudeness, I should not have said, that I believe you to be honest. . . . But an understanding of the Constitution different from mine I cannot overlook, because the Constitution, to be worth anything, must be held sacred, and rigidly observed in all its provisions. The man who wields power and misinterprets it is the more dangerous the more honest he is.’

“ ‘I admit the truth of all you say, but there must be some mistake about it, for I do not remember that I gave any vote last winter upon any constitutional question.’

“ ‘No, Colonel, there’s no mistake. Though I live here in the backwoods and seldom go from home, I take the papers from Washington and read very carefully all the proceedings of Congress. My papers say that last winter you voted for a bill to appropriate $20,000 to some sufferers by a fire in Georgetown. Is that true?’

“ ‘Well, my friend; I may as well own up. You have got me there. But certainly nobody will complain that a great and rich country like ours should give the insignificant sum of $20,000 to relieve its suffering women and children, particularly with a full and overflowing Treasury, and I am sure, if you had been there, you would have done just as I did.’

“ ‘It is not the amount, Colonel, that I complain of; it is the principle. In the first place, the government ought to have in the Treasury no more than enough for its legitimate purposes. But that has nothing to do with the question. The power of collecting and disbursing money at pleasure is the most dangerous power that can be entrusted to man, particularly under our system of collecting revenue by a tariff, which reaches every man in the country, no matter how poor he may be, and the poorer he is the more he pays in proportion to his means. What is worse, it presses upon him without his knowledge where the weight centers, for there is not a man in the United States who can ever guess how much he pays to the government. So you see, that while you are contributing to relieve one, you are drawing it from thousands who are even worse off than he. If you had the right to give anything, the amount was simply a matter of discretion with you, and you had as much right to give $20,000,000 as $20,000. If you have the right to give to one, you have the right to give to all; and, as the Constitution neither defines charity nor stipulates the amount, you are at liberty to give to any and everything which you may believe, or profess to believe, is a charity, and to any amount you may think proper. You will very easily perceive what a wide door this would open for fraud and corruption and favoritism, on the one hand, and for robbing the people on the other. No, Colonel, Congress has no right to give charity. Individual members may give as much of their own money as they please, but they have no right to touch a dollar of the public money for that purpose. If twice as many houses had been burned in this county as in Georgetown, neither you nor any other member of Congress would have thought of appropriating a dollar for our relief. There are about two hundred and forty members of Congress. If they had shown their sympathy for the sufferers by contributing each one week’s pay, it would have made over $13,000. There are plenty of wealthy men in and around Washington who could have given $20,000 without depriving themselves of even a luxury of life. The congressmen chose to keep their own money, which, if reports be true, some of them spend not very creditably; and the people about Washington, no doubt, applauded you for relieving them from the necessity of giving what was not yours to give. The people have delegated to Congress, by the Constitution, the power to do certain things. To do these, it is authorized to collect and pay moneys, and for nothing else. Everything beyond this is usurpation, and a violation of the Constitution.

“ ‘So you see, Colonel, you have violated the Constitution in what I consider a vital point. It is a precedent fraught with danger to the country, for when Congress once begins to stretch its power beyond the limits of the Constitution, there is no limit to it, and no security for the people. I have no doubt you acted honestly, but that does not make it any better, except as far as you are personally concerned, and you see that I cannot vote for you.’

“I tell you I felt streaked. I saw if I should have opposition, and this man should go to talking, he would set others to talking, and in that district I was a gone fawn-skin. I could not answer him, and the fact is, I was so fully convinced that he was right, I did not want to. But I must satisfy him, and I said to him:

“ ‘Well, my friend, you hit the nail upon the head when you said I had not sense enough to understand the Constitution. I intended to be guided by it, and thought I had studied it fully. I have heard many speeches in Congress about the powers of Congress, but what you have said here at your plow has got more hard, sound sense in it than all the fine speeches I ever heard. If I had ever taken the view of it that you have, I would have put my head into the fire before I would have given that vote; and if you will forgive me and vote for me again, if I ever vote for another unconstitutional law I wish I may be shot.’

“He laughingly replied; ‘Yes, Colonel, you have sworn to that once before, but I will trust you again upon one condition. You say that you are convinced that your vote was wrong. Your acknowledgment of it will do more good than beating you for it. If, as you go around the district, you will tell people about this vote, and that you are satisfied it was wrong, I will not only vote for you, but will do what I can to keep down opposition, and, perhaps, I may exert some little influence in that way.’

“ ‘If I don’t,’ said I, ‘I wish I may be shot; and to convince you that I am in earnest in what I say I will come back this way in a week or ten days, and if you will get up a gathering of the people, I will make a speech to them. Get up a barbecue, and I will pay for it.’

“ ‘No, Colonel, we are not rich people in this section, but we have plenty of provisions to contribute for a barbecue, and some to spare for those who have none. The push of crops will be over in a few days, and we can then afford a day for a barbecue. This is Thursday; I will see to getting it up on Saturday week. Come to my house on Friday, and we will go together, and I promise you a very respectable crowd to see and hear you.’

“ ‘Well, I will be here. But one thing more before I say good-by. I must know your name.’

“ ‘My name is Bunce.’

“ ‘Not Horatio Bunce?’

“ ‘Yes.’

“ ‘Well, Mr. Bunce, I never saw you before, though you say you have seen me, but I know you very well. I am glad I have met you, and very proud that I may hope to have you for my friend.’

“It was one of the luckiest hits of my life that I met him. He mingled but little with the public, but was widely known for his remarkable intelligence and incorruptible integrity, and for a heart brimfull and running over with kindness and benevolence, which showed themselves not only in words but in acts. He was the oracle of the whole country around him, and his fame had extended far beyond the circle of his immediate acquaintance. Though I had never met him before, I had heard much of him, and but for this meeting it is very likely I should have had opposition, and had been beaten. One thing is very certain, no man could now stand up in that district under such a vote.

“At the appointed time I was at his house, having told our conversation to every crowd I had met, and to every man I stayed all night with, and I found that it gave the people an interest and a confidence in me stronger than I had ever seen manifested before.

“Though I was considerably fatigued when I reached his house, and, under ordinary circumstances, should have gone early to bed, I kept him up until midnight, talking about the principles and affairs of government, and got more real, true knowledge of them than I had got all my life before.

“I have known and seen much of him since, for I respect him—no, that is not the word—I reverence and love him more than any living man, and I go to see him two or three times every year; and I will tell you, sir, if every one who professes to be a Christian lived and acted and enjoyed it as he does, the religion of Christ would take the world by storm.

“But to return to my story. The next morning we went to the barbecue, and, to my surprise, found about a thousand men there. I met a good many whom I had not known before, and they and my friend introduced me around until I had got pretty well acquainted—at least, they all knew me.

“In due time notice was given that I would speak to them. They gathered up around a stand that had been erected. I opened my speech by saying:

“ ‘Fellow-citizens—I present myself before you today feeling like a new man. My eyes have lately been opened to truths which ignorance or prejudice, or both, had heretofore hidden from my view. I feel that I can today offer you the ability to render you more valuable service than I have ever been able to render before. I am here today more for the purpose of acknowledging my error than to seek your votes. That I should make this acknowledgment is due to myself as well as to you. Whether you will vote for me is a matter for your consideration only.’

“I went on to tell them about the fire and my vote for the appropriation and then told them why I was satisfied it was wrong. I closed by saying:

“ ‘And now, fellow-citizens, it remains only for me to tell you that the most of the speech you have listened to with so much interest was simply a repetition of the arguments by which your neighbor, Mr. Bunce, convinced me of my error.

“ ‘It is the best speech I ever made in my life, but he is entitled to the credit for it. And now I hope he is satisfied with his convert and that he will get up here and tell you so.’

“He came upon the stand and said:

“ ‘Fellow-citizens—It affords me great pleasure to comply with the request of Colonel Crockett. I have always considered him a thoroughly honest man, and I am satisfied that he will faithfully perform all that he has promised you today.’

“He went down, and there went up from that crowd such a shout for Davy Crockett as his name never called forth before.

“I am not much given to tears, but I was taken with a choking then and felt some big drops rolling down my cheeks. And I tell you now that the remembrance of those few words spoken by such a man, and the honest, hearty shout they produced, is worth more to me than all the honors I have received and all the reputation I have ever made, or ever shall make, as a member of Congress.”

“Now, sir,” concluded Crockett, “you know why I made that speech yesterday.

“There is one thing now to which I will call your attention. You remember that I proposed to give a week’s pay. There are in that House many very wealthy men—men who think nothing of spending a week’s pay, or a dozen of them, for a dinner or a wine party when they have something to accomplish by it. Some of those same men made beautiful speeches upon the great debt of gratitude which the country owed the deceased—a debt which could not be paid by money—and the insignificance and worthlessness of money, particularly so insignificant a sum as $10,000, when weighed against the honor of the nation. Yet not one of them responded to my proposition. Money with them is nothing but trash when it is to come out of the people. But it is the one great thing for which most of them are striving, and many of them sacrifice honor, integrity, and justice to obtain it.”

Quem tem medo da internet livre?

http://blog.foreignpolicy.com/posts/2009/05/21/eek_a_mouse



Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Obama e School Choice

Eis um tema que merece maior atenção no Brasil - o sistema de vouchers, não o Obama...

Este vídeo da ReasonTV mostra a preocupação de algumas mães de DC ante à perspectiva de seus filhos terem que voltar às decrépitas e dispendiosas escolas estatais.





Um pouco mais sobre o assunto em:

http://www.friedmanfoundation.org/schoolchoice/

http://www.fraserinstitute.org/researchandpublications/researchtopics/schoolreportcards.htm

http://www.catostore.org/index.asp?fa=ShowBookIndex&scid=16

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Diogo Costa fala sobre legalização das drogas

Vale a pena conferir!



Diogo G.R. Costa é Editor do OrdemLivre.org. Foi um dos vencedores do primeiro prêmio Donald Stewart Jr. apresentado pelo Instituto Liberal por seu ensaio sobre Ludwig von Mises. Em 2005, estagiou no Centro para Liberdade e Prosperidade Global no Cato Institute. Diogo já foi entrevistado no programa Manhattan Connection da GNT, deu palestras na PUC-RJ, PUC-MG e UFES, e seus artigos já apareceram em diversas publicações, incluindo O Globo, O Dia, O Estado de São Paulo, Jornal do Commercio, Digesto Econômico, Buenos Aires Herald (Argentina), El Diario Exterior (Espanha), Mmegi (Botswana), e The Panama News (Panamá). Diogo Costa é formado em Direito pela Universidade Católica de Petrópolis e mestre em Ciência Política pela Universidade de Columbia.



http://www.ordemlivre.org/node/34

O Mascote do Bailout

Intraduzível...

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

O Culto ao Presidente

Em 2008, Gene Healy lançou um livro bastante interessante chamado "The Cult of the Presidency: America’s Dangerous Devotion to Executive Power" (http://www.catostore.org/index.asp?fa=ProductDetails&method=&pid=1441383). Escrito em ocasião da atuação exorbitante do poder executivo durante a Administração W. Bush, e analisando a forma a sociedade americana reagiu apaticamente a esse movimento, a temática cai como uma luva a esse fenomeno de popularidade chamado Barrack Hussein Obama.

Por conta disso, Healy (vice-presidente do Cato Institute) tem sempre críticas mordazmente instigantes a respeito do culto ao presidente. Confiram o artigo abaixo.

http://www.cato.org/pub_display.php?pub_id=10082

Beware the Cult of Obama

by Gene Healy

Added to cato.org on March 31, 2009

This article appeared in the San Francisco Examiner on March 30, 2009.

You've met them. They may be friends of yours, or family members. You may even be one of them (in which case you'll hate this column). I'm referring to those who've heard the Call of Obama.

Tucker Carlson compares it to a dog whistle: Inaudible to most, but irresistible to those who can hear it.

Obama "walks into a room and you want to follow him somewhere, anywhere," George Clooney gushed to Charlie Rose.

"I'll collect paper cups off the ground to make [Obama's] pathway clear," Halle Berry recently told the Philadelphia Daily News, "I'll do whatever he says." (Does Michelle know about this?)

Any conservative who thinks cultishness is exclusively a leftist phenomenon ought to take a good long look in the mirror.

Hollywood stars aren't known for their political wisdom. More disturbing is how starstruck the mainstream media has become. Hardball host Chris Matthews isn't the only one who gets a "thrill" up his leg at the very thought of our new president.

Last summer, San Francisco Chronicle columnist Mark Morford wrote that "Many spiritually advanced people I know … identify Obama as a Lightworker, that rare kind of attuned being who … can actually help usher in a new way of being on the planet."

The Politico recently ran a 900-word article entitled "The Power of Obama's Hand," reverentially describing how the president "uses touch to control and console simultaneously," laying hands on supporters and opponents alike.

And in February, author Judith Warner used her New York Times blog to confess that "The other night I dreamt of Barack Obama. He was taking a shower right when I needed to get into the bathroom to shave my legs."

Instead of keeping that information to herself, Warner "launched an email inquiry," which revealed that "many women—not too surprisingly—were dreaming about sex with the president." Those of us who like to point out that the Emperor has no clothes now have to worry that when we do, we may give rise to a new round of lurid cougar fantasies.

Conservatives like to think they're above this sort of thing. Their attitude is summed up by the subtitle of Jerome Corsi's recent bestseller: Obama Nation: Leftist Politics and the Cult of Personality.

But any conservative who thinks cultishness is exclusively a leftist phenomenon ought to take a good long look in the mirror. Because many of those who decry the "cult of Obama" are the same people who made a flight-suited action figure hero out of such common clay as George W. Bush.

Peggy Noonan called Bush's post-9/11 address to Congress "a God-touched moment and a God-touched speech." Fred Barnes wrote that "the stage was set for Bush to be God's agent of wrath." National Review Online ran ads for the Bush "Top Gun" action figure, and an article about how wonderful it was to have a presidential superhero to complement your GI Joe collection.

Gene Healy is a vice president at the Cato Institute and author of The Cult of the Presidency: America's Dangerous Devotion to Executive Power.
More by Gene Healy

On Hardball, after the "Mission Accomplished" speech, G. Gordon Liddy got graphic enough to embarrass Judith Warner: "Here comes George Bush. You know, he's in his flight suit, he's striding across the deck, and he's wearing his parachute harness.... and it makes the best of his manly characteristic... He has just won every woman's vote in the United States of America!"

Presidential cultishness can be found all across the political spectrum. It's a pathology that needs to be rooted out, because when we swoon over the man who holds the office, we risk making the presidency far more powerful than it was ever intended to be.

William Hazlitt, the 19th-century English essayist, argued that man was by nature "a worshipper of idols and a lover of kings." As savages, Hazlitt wrote, we fashioned "gods of wood and stone and brass," but now, thinking ourselves above superstition, "we make kings of common men, and are proud of our own handiwork."

But America's very existence repudiates the idea that we're hard-wired for leader-worship. We became a nation by throwing off a king, and our Founders gave us a Constitution that's based on the notion that all men are flawed and none should be trusted with too much power.

Americans, of all people, should recognize how bizarre and dangerous it is to fawn over professional politicians.

Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Estado pretende adotar cadeias privadas no RS

Acho que a Yeda andou lendo meu TCC... hehehehe. Resta esperar que o governo tenha coragem pra enfrentar a SUSEPE que, obviamente, não vai gostar de perder seu monopólio no trato de serviços penitenciários. Olho vivo, também, para as potenciais pilantragens às quais o processo, se mal conduzido, pode ficar vulnerável.

Esperemos que a oposição cumpra seu dever de maneira responsável, portanto.


http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2443190.xml&template=3898.dwt&edition=11926§ion=1001


18 de março de 2009 | N° 15911AlertaVoltar para a edição de hoje
PRESÍDIOS
Estado pretende adotar cadeias privadas no RS
Governadora defende proposta que deve ser debatida pela força-tarefa

Até agora restrita a gabinetes do primeiro escalão do governo Yeda Crusius, a discussão sobre a criação de penitenciárias privadas no Estado deve se tornar pública nas próximas semanas.

Aproposta de delegar a empresas, escolhidas por meio de licitação, não apenas a construção, mas também os serviços carcerários de novas cadeias, será apresentada no próximo encontro da força-tarefa criada para solucionar as carências nos presídios, previsto para os próximos dias.

A proposta de terceirização prisional, inédita no Estado, tentará dar agilidade ao burocrático processo de abertura de novas vagas para detentos gaúchos. A empresa receberia, além da tarefa de erguer a cadeia, a responsabilidade de executar todos os serviços na unidade, como segurança interna, alimentação, vestuário e atendimento médico.

Além da fiscalização da empresa, o Estado permaneceria com a supervisão dos detentos e com a guarda externa da prisão.

Entusiasta das parcerias público-privadas, conhecidas como PPPs, Yeda acredita que a área prisional possa ser uma das primeiras a se beneficiar com elas no Estado.

– As parcerias são um dos meios para criação de vagas e modernização do sistema prisional. Elas podem ainda oportunizar o trabalho aos presos – avaliou ontem a governadora.

Publicado no Diário Oficial do Estado do dia 5 de março, um edital confirmou o interesse de Yeda nas PPPs. O documento torna público a vontade dela em conhecer estudos e projetos privados para o setor da segurança.

Para o superintendente dos Serviços Penitenciários, Paulo Zietlow, entre as vantagens estaria a agilidade da iniciativa privada na compra de áreas para construção das penitenciárias e na contração dos funcionários que posteriormente trabalhariam nas cadeias.

– Mesmo com dinheiro na mão, como é o caso agora, é difícil se construir presídios aqui no Estado. Além dos procedimentos legais, ainda existe a pressão de municípios que não querem abrigar presídios – argumenta ele.

Sobre essa reação das comunidades, Zietlow comenta:

– Acho que as empresas lidam melhor com pressões políticas quando querem comprar uma área. Creio que o Estado demora mais para dar o primeiro passo, que é a escolha da área.

Pelo processo atual – que inclui a desapropriação de áreas por parte do Estado, a seleção de empreiteiras e a abertura de concursos para contratação de servidores – são gastos mais de três anos. Ao transferir todo o processo para a iniciativa privada, o tempo seria reduzido para um ano e meio, estimam os defensores do projeto.

Apesar de não conhecer os detalhes da proposta analisada pelo governo do Estado, o juiz Sidinei José Brzuska, responsável pela fiscalização de presídios na Região Metropolitana, acredita que a parceria pode trazer benefícios:

– A ideia é boa, desde que a fiscalização do Estado não permita a criação de relações indevidas entre funcionários da empresa e detentos.

francisco.amorim@zerohora.com.br
FRANCISCO AMORIM

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

How does it feel to be a libertarian in Brazil e o CERC

Nesta última quarta-feira, dia 11 de março, fui convidado a falar da minha experiencia como estudante e como criador de um grupo estudantil voltado à promoção da liberdade na Academia. Neste evento falaram também estudantes de países tais como Bélgica, Canadá, Guatemala e Rússia.

O vídeo e o áudio do evento devem estar disponíveis em breve. Confira a transcrição abaixo:

Speech given at the seminar “E-Leadership - Threats to Liberty from Around the World”, promoted by Students For Liberty and Atlas Economic Research Foundation. March 11th, 2009.

Fábio M. Ostermann


As Monica mentioned, being a libertarian in Brazil is probably not the easiest thing in the world. It means being constantly taken as someone who hates poor people, children, workers, consumers, women, elderlies, devoting all our love to big corporations from which we receive our monthly payment for defending their interests.

Of course this is not true, and I'm very happy to be speaking to people who understand why this is not true.

Unfortunately the vast majority of people in my country – and even in the US, that is supposed to be THE libertarian country in the world – don't understand why defending individual freedom (in its economic and political dimension) is not same thing as defending the interests of rich people and big business.

So what to do in order to turn the tide? Well, in school I was lucky to have some close friends who shared the same opinions about the role of government in a free society. All we had to do was get together and find the best way to help advancing the cause of freedom in Brazil. As students, we felt that the academic environment of our school was completely dominated by leftists with the most bizarre affiliations.

Our teachers and the majority of our colleagues seemed to simply ignore that there was another way of seeing subjects as labor laws, drug policy, international trade, social justice, individual rights, and what does the state have to do with all this.

Following the acknowledgement of this situation, we decided to take action. We created a student group called Circle of Studies Roberto Campos, (or simply CERC) named after a very famous brazilian libertarian. The group has the very challenging mission of promoting free-market ideas in the academy.

Since our ideas are not very well regarded in Brazil, we decided that one of the main goals of the group would be for the members to educate themselves into the fundamentals of free-market. This proved to be important in several occasions, because you gotta really know what you're talking about before you try to convince and persuade others of your point of view.

So we began to have weekly meetings in which we would discuss current topics on our economical, political and legal reality with a libertarian approach. Little by little we started inviting colleagues that we felt might be interested in debating with us. Some people used to show up, sometimes a bit cautious and disagreeing with a lot of our ideas. The important thing was not to get these folks to leave our meetings thinking the same way we do (of course, that would be great), but to expose an expressive number of people to ideas that are falsely considered to be old-fashioned and impossible to be put in practice.

We also promoted some other very interesting activities. For instance, among the candidates for Mayor of my city on last year's election there was a candidate running with a radical socialist platform. We invited her to be interviewed by members of the group and confronted her proposals such as overtaxing rich people, price controls, increasing labor rights, state control over the means of production, and some other marxist bullshits that find fertile soil in Latin America, especially among young people. It was very interesting This interview is available at our blog and at google videos.

Besides exposing socialist fallacies to facts of history and economics, we also promoted seminars on law and economics, which is considered a pretty radical approach in brazilian law schools. What got me interested about it is the fact that it provides law students with valuable insights about how market works and what is the economic outcome to be expected if this law passes or this judge decides that way.

We also giveaway libertarian classic books and constantly write articles for our school newspapers, besides our blog (www.blogdocerc.blogspot.com), of course.

From the experience with my student group, what I can tell you is gather your friends and get it started. There are hundreds of tools on the internet to help you to start your own student organization for liberty. There's a battle of ideas to be waged and, guess what?!, we're losing ground.




Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Brazil's da Silva Warns Against Protectionism

Uma defesa casuística do livre-mercado temperada por sua decantada ignorancia acerca do funcionamento do mercado financeiro (algo muito "falso", na opinião dele) são o máximo que se pode esperar do "Da Silva do Brasil"... E o Presidente não decepciona nesta entrevista ao Wall Street Journal:


http://online.wsj.com/article/SB123673753221191161.html


Brazil's da Silva Warns Against Protectionism


By JOHN LYONS

BRASILIA -- Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva, saying a rising wave of protectionism by rich nations threatens the world's emerging economies, vowed to lobby the U.S. to adopt a free-trade deal with Colombia even though it could hurt some of his own country's exports to the U.S.

In an interview with The Wall Street Journal ahead of his visit to the U.S. this week, Mr. da Silva was sharply critical of recent protectionist measures by nations that normally promote free trade. One example: the "Buy American" clause included in the latest U.S. stimulus package approved in Congress, even though it was modified to make sure the U.S. complies with international trade rules.

He warned that the global financial crisis threatens to pinch off growth that was reducing poverty in poor nations, and called for financial aid and other measures to prevent the further spread of crisis effects. "We can't accept the idea that for the irresponsibility of bankers, and the irresponsibility of a few leaders, who didn't regulate, that the rest of the world ends up stuck with the bill, and above all its poorest," he said.

Brazil is an unlikely advocate for more open trade. Expensive import tariffs make many goods, from computers to automobiles, too expensive for the average Brazilian. Brazil resisted U.S. efforts to bind the Western hemisphere in a giant free trade agreement, arguing that the U.S. terms were too tough on Latin American trading partners. The country, however, is now pushing to revive stalled World Trade Organization talks for a global trade deal.

Mr. da Silva's arguments underscore how radically the financial crisis is changing the outlook of even nations that appear to be surviving the downturn better than others. He said he believes Brazil will avoid recession this year, even as the U.S., Europe and Japan contract. But new data released on Tuesday showed the Brazilian economy slowing fast -- growing a meager 1.3% during the last three months of 2008 compared to the same quarter of the previous year.
[southern significance]

Mr. da Silva called stemming protectionism his top priority for a scheduled meeting with President Barack Obama on Saturday. "Protectionism can seem beneficial at first," he said. "But in the long term, it wounds countries, above all the poor countries, which need to sell their goods to the rich countries in the global economy."

The former labor leader increasingly has been trying to position himself as a global advocate for emerging nations in forums such as meeting of leaders of the Group of 20 biggest economies in London next month.

At Mr. da Silva's meeting with Mr. Obama, he said, he also plans to discuss proposals that could be tackled at the G-20 meeting. Those include, Mr. da Silva said, reviving stalled Word Trade Organization talks, stronger commitments to avoid protectionist trade policies, stricter guidelines for regulating financial institutions, including limits on leverage, and pledges by rich nations to increase credit for exports and other activities in developing nations.

Not too long ago, Brazil's bid to influence global affairs might have been brushed aside. But the South American nation, the world's largest exporter of sugar, coffee, iron ore, beef and chicken, is slowly carving out a potent role in areas such as international trade.

Relations with Brazil are rising as a priority for the U.S. Huge new oil finds off the shores of Rio de Janeiro mean that Brazil could become a key supplier of crude to the U.S. as production in Mexico and Venezuela decline. Brazil can also play a key role in improving U.S. relations with Latin America, which hit new lows last year as Venezuela and Bolivia expelled U.S. ambassadors, and Ecuador said it would end U.S. use of a military base there.

Mr. da Silva, for example, said he was urging Venezuelan President Hugo Chávez to tone down his anti-U.S. rhetoric and view the change of administration as an opportunity to revamp relations. In turn, he is urging the U.S. to dismantle the trade embargo against Cuba, a long time burr in regional relations.

"There is no human, sociological or political reason to maintain the embargo on Cuba," Mr. da Silva said. "We have to look to the future, and we can't politic in the 21st century over what happened in the 20th."

The U.S. has said it expects to ease restrictions on travel and money transfers to Cuba.

Mr. da Silva's unlikely rise to power -- he was a school dropout and industrial worker who lost a finger in a factory accident -- gives him enormous reservoir of good will in a region with a deep divide between rich and poor.

Relations between the U.S. and Brazil, though good, are relatively underdeveloped. The cornerstone is an agreement to develop biofuel technology, a Brazilian area of expertise.

Mr. da Silva's impoverished background has raised expectations that he will be able to forge an especially productive relationship with Mr. Obama, whose own background didn't presage power. The Brazilian was effusive in his praise for the U.S. president.

"I pray for Obama more than I pray for myself," Mr. da Silva said. "Bush's policies toward Brazil were dignified. But I think they can be infinitely better with Obama."

Mr. da Silva's disdain for investment banks is rooted in the aftermath of his 2002 election, when U.S. and European investment houses led a rout on Brazilian bonds, predicting Mr. da Silva would wreck the economy. Brazil's economy has remained on solid footing, and its financial system is intact.

Indeed, Mr. da Silva said the crisis offered an opportunity to create an economy where Wall Street financiers play a smaller role.

"The world will be less false," Mr. da Silva said. "The economy that will count is the one that produces corn, rice, a screw, a car, a suit, a watch."

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Seminários nos EUA

A quem tiver interesse e disponibilidade financeira para viajar até San Diego, recomendo fortemente que participe da Cato University. Estive ano passado e não me arrependi! Trata-se de um evente de altíssimo nível, palestrantes excelentes (este ano vai estar ainda melhor do que o passado), ambiente prolífico para troca de idéias, além de ser em um hotel muito bom.



Para tanto, é só preencher o formulário para a scholarship.
http://www.cato.org/cato-university/index.html

Ano passado quando fui, aproveitei a viagem e participei também da Freedom University (http://fee.org/seminars/college/). Um pouco mais introdutória, mas excelente também.

Em ambos os sites se encontra fotos e arquivos referentes às palestras de anos anteriores.

Ainda, se quiserem saber mais sobre eventos a ocorrerem nos EUA, não deixem de acessar http://www.libertyguide.com/.

Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Asilo político só para os mais chegados

Isto é Brasil, minha gente.


Brasil: Negada extradição de Cesare Battisti para Itália, ministro concede-lhe asilo político
Rio de Janeiro, Brasil, 14 Jan (Lusa) - O ministro brasileiro da Justiça, Tarso Genro, decidiu na terça-feira conceder asilo político a Cesare Battisti, antigo activista da extrema-esquerda, condenado em Itália por quatro homicídios em julgamentos controversos e cuja extradição era pedida por Roma.

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/491681


E aqui a repercussão na Itália dessa palhaçada:

http://www.corriere.it/cronache/09_gennaio_14/battisti_no_estradizione_cc57b5b4-e205-11dd-b227-00144f02aabc.shtml

Eu imagino que já deva ter uma movimentação de mafiosos comprando passagem pro Brasil e trazendo uns euros na mala pra contribuir com ONGs petistas para, com isso, garantir um asilo aqui na terra da impunidade. Referências, favor contatar Ronald Biggs.

Lamentável.

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Vê se aprende!





(You probably thought it was smart to buy a foreign import of superior quality, with better mileage and resale value. Maybe you even thought that years of market share loss might prod us into rethinking our process and redesigning our products with better quality in mind. But you forgot one thing: We spend a shitload of money on lobbyists. So now you're out $25 billion, plus the cost of your Subaru. Maybe next time you'll buy American like a real man. Either way, we're cool.)

Falência não é igual à morte

No momento em que li este texto, vi que valia a pena traduzir.
Original em: http://online.wsj.com/article/SB122895755096596653.html

Falência não é igual à morte
A indústria automobilística poderia usar o processo para se tornar competitiva

Por Don Boudreaux


É sórdido o espetáculo dos magnatas corporativos de Detroit pedindo esmola ao Tio Sam. Por que, então, mais americanos não se escandalizam com isso? Uma razão é a disseminada idéia – em grande parte pelas próprias montadoras de carros – sobre o tamanho destas empresas. As Três Grandes, nos dizem, “são grandes demais para falir”.

Este mito começa com a idéia de que GM, Ford e Chrysler são tão imensas que se elas quebrarem, as vidas de um grande número de trabalhadores e fornecedores seriam afetadas. De uma só vez, o mercado para os seus serviços e produtos estaria fechado. Portanto, conclui o argumento, o governo deve impedir estas falências.
Absurdo.

A falência não faz com que bens – como fábricas, máquinas, opções de compra de matéria-prima, habilidades laborais – desapareçam. Se o mercado ainda existe para os produtos produzidos por estas empresas, o Capítulo 11 [do Bankruptcy Code, lei que regula as falências nos EUA] é a melhor maneira de descobrir. Alguns trabalhadorres podem vir a perder seus empregos, e alguns fornecedores poder vir a perder seus mercados, mas não haveria nenhum colapso industrial como o imaginado por aqueles que torcem pelo bailout.

Mas e se a recusa em auxiliar estas empresas resultar na sua completa falência? Mesmo neste caso – especialmente neste caso – o argumento em favor do bailout se quebra. Empresas realmente grandes como GM, Ford e Chrysler são grandes consumidores de recursos produtivos, como borracha e aço. Quase todos estes recursos apresentam usos alternativos e poderiam ser usados por outras empresas, ou em outras indústrias.

Um bailout governamental das Três Grandes mantém imensas quantidades de recursos produtivos nas mãos de empresas que não podem utilizá-los de maneira eficiente. Forçar os pagadores de impostos a subsidiar o contínuo emprego de absurdas quantidades de matéria-prima, trabalho e bens de capital em objetivos improdutivos é uma receita para a estagnação econômica. O mito popular e politicamente conveniente está ao contrário: quanto maior a empresa não-lucrativa, mais vital é que lhe seja permitido falir.

Ainda assim, eu duvido que GM, Ford e Chrysler venham a fechar sem um bailout. É pouco provável que empresas que juntas produzem quase a metade de todos os carros vendidos nos EUA por ano venham a achar o mercado para seus produtos, de repente, pequeno demais para justificar a continuidade de suas operações. (E se for o caso, o que esse resultado nos diria sobre a qualidade dos produtos destas empresas e sobre a eficiência das suas operações?)

A restruturação sob o Capítulo 11 vai obrigar as Três Grandes de Detroit a diminuir, e talvez até a se unirem entre si ou com outras montadoras. Tal situação causará inegáveis dificuldades a alguns trabalhadores e fornecedores, mas dificuldades similares àquelas rotineiramente enfrentadas por trabalhadorres e fornecedores de outras indústrias quando mudanças econômicas reduzem a demanda dos consumidores por seus produtos.

Se Washington não dá nenhum subsídio especial a trabalhadores e fornecedores de fora da indústria automobilística, por que tratar GM, Ford e Chrysler de maneira diferente? Seriam os seus trabalhadores ou proprietários mais valorosos? Não mesmo. Os empregos e os bons salários por eles desfrutados foram possibilitados por essa mesma abertura econômica que agora exige significativa restruturação destas três empresas. Seus acionistas, trabalhadores e fornecedores não têm nenhum direito, moral ou economicamente, a receberem tratamento especial do governo.

Justamente porque as Três Grandes não são essencialmente diferentes de outras empresas dos EUA é que ajudá-las pode gerar um risco real de um efeito cascata, fazendo com que inúmeras empresas, incapazes de entender por que razão teriam menos direito ao dinheiro dos pagadores de impostos, marchem até Washington.

O que o presidente-eleito Barack Obama vai dizer às outras empresas quando elas vierem implorando? Se ele disser não, será visto como alguém que favoreceu três empresas que não mereciam nenhum tratamento especial. Se ele disser sim, estará dando à indústria privada um cheque em branco a ser sacado da economia americana. Imaginar que tais empresas não irão sacar o dinheiro com muita freqüência, com muita ganância, e sem nenhuma justificativa real é uma perigosa fantasia.

Don Boudreaux é presidente do Departamento de Economia da George Mason University.

Tradução: Fábio M. Ostermann

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Auto-propriedade, ou a liberdade de ser arremessado

O caso relatado abaixo era pra mim um mito emblemático do desrespeito ao direito de se fazer o que bem entender com o próprio corpo. Eu havia ouvido o relato de um caso parecido ocorrido na França, mas nunca tive muita certeza sobre se a veracidade, dado o absurdo da situação. Espanta o fato de, nos Estados Unidos, uma pessoa adulta ser privada do seu ganha-pão com base em uma alegação tão estúpida.

Este trecho do excelente livro “Give me a Break”, de John Stossel, explica o causo:


Eu entrevistei um anão chamado Dave Flood que queria ser arremessado. Arremessado? Sim, é isso aí. Arremesso de anões – geralmente uma brincadeira praticada em bares, na qual homens competem para ver quem consegue atirar o anão mais longe, ou acertar pinos de boliche com ele – é um lazer festivo em algumas partes do mundo. A idéia me causa repulsa.

Mas sou eu quem decide por Dave?

Dave ganhava dinheiro sendo arremessado. Em Tampa, Flórida, onde Dave mora, bares pagariam para que ele fosse parte das suas atrações. Dave topa. Mas ele não pode. Um grupo chamado Little People of America convenceu os legisladores da Flórida de que o arremesso de anões deveria ser ilegal. A votação foi apertada.

“O anão está sendo objetificado, desumanizado,” diz a porta-voz da Little People, Angela Van Ettan. “E é perigoso”.

Pode ser, mas Dave se perguntou por que a Little People of America e os políticos decidem por ele. “Sou um adulto,” diz Flood. “Eu tenho trinta e sete anos, sabe. Eu posso proteger a mim mesmo... Sabe, se eu tivesse dois metros de altura eu seria pago para colcocar uma bola em uma cesta. Eu não tenho 2 metros. Tenho um metro e sou um anão, então [eu quero] ganhar dinheiro sendo arremessado.”

Ele tem um ponto interessante. Muita gente ganha dinheiro com seu corpo. Jogadores de futebol o fazem, bem como atrizes. Alguns se lesionam em esportes ou por dinheiro. Alguns avançam em suas carreiras fazendo cirurgias que alteram seu físico. Fazer cirurgias é menos arriscadas do que ser arremessado? Fazer implante de silicone deveria ser ilegal? As pessoas tomam decisões diferentes sobre quais riscos elas querem correr. Mas se é o seu corpo, você não deveria ter o direito de decidir?

Eu perguntei à porta-voz da Little People sobre isso.

“É um pouco diferente,” disse Angela Van Ettan. Se isso for permitido em bares, disse ela, colocaria todos os anões em risco. “Nós temos que dar um exemplo em um caso desses,” adicionou seu marido, Robert Van Ettan, “por causa do impacto negativo que traz aos nosso membros.”

Ativistas como ele decidem por todo mundo?

Com freqüência, sim. Porque os metidos que querem mandar na vida dos outros exercem influência política. Eles fazem as regras porque fazem muito mais lobby do que aqueles que apenas desejam ser deixados em paz. E na arena política, os vencedores ganham o direito de dizer a todo o resto o que fazer.


(STOSSEL, p. 255-256)

Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Pollyshop - Kit Left Revolutions

Homenagem aos meus amigos militantes de esquerda:

Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Venda seu rim, saia lucrando

Original em http://mises.org/story/660

Venda seu rim, saia lucrando
Ninos Malek

[NOTA: O Mises Institute não compra nem vende rins, nem qualquer órgão humano, e tampouco estamos preparados para receber órgãos como presentes em espécie.]
O mesmo vale para este blog, que não faz apologia à venda de órgãos, nem intermedeia seu comércio. Comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores.

Em 18 de abril, o canal Fox News revelou que o governo americano, liderado pelo Secretário de Saúde (HHS - Health and Human Service), Tommy Thompson, está buscando unir esforços pela doação de órgãos. Até celebridades estão juntas neste esforço. O apresentador esportivo James Brown disse que, ainda que ele odeie agulhas, entrou no registro de doadores e que há mais “grandões” (usando as suas palavras) lá fora que podem fazer o mesmo. O problema é que a doação de órgãos depende da bondade e do amor humano.



Antes que eu ofereça a solução que tem sido afirmada repetidamente por economistas defensores do livre-mercado, eu gostaria de focar no direito de propriedade em relação a si mesmo. Por que raios você se importaria se eu quisesse permitir que me cortassem para que eu pudesse vender meu rim para alguém que dele precisasse? Você diria, “Por que você não simplesmente dá o seu rim para essa pessoa?”

Desculpe-me, eu não sou assim tão legal.

Atualmente, 75.863 homens, mulheres e crianças precisam de transplante de órgãos nos EUA. Aproximadamente 23.000 irão recebê-los este ano. Quinze pessoas morrem todos os dias por falta de doadores. No caso dos rins, em particular, 44.349 pessoas necessitam de um transplante, mas apenas aproximadamente 13.000 deles receberão.

Se o dinheiro é o catalizador que alivia a escassez, e se a troca dinheiro/órgão for voluntária, então por que impedir essa transação? Obviamente, eu quero o dinheiro mais do que o rim, e a pessoa doente quer o rim mais do que o dinheiro. Esta é uma troca mutuamente benéfica.

Muitas pessoas protestam afirmando que isso daria aos criminosos o incentivo para criarem um mercado negro de órgãos. A realidade hoje é que já existe um mercado negro para órgãos e, além disso, existe a possibilidade de corrupção na alocação de órgãos nas listas de espera. Ao legalizar-se a venda de órgãos, a oferta deles aumentaria, e os preços cairiam.

Os dois pontos principais de Henry Hazlitt em Economia Numa Única Lição são que maus economistas enxergam apenas o curto prazo, ignorando o longo prazo, e que eles enxergam os efeitos em apenas determinado grupo, não em todos. Em outras palavras, bons economistas levam em conta as conseqüências indesejadas de políticas públicas. Obviamente, nossos gestores de políticas públicas não têm bons economistas para aconselhá-los, ou, se têm, estão ignorando-os.

E o que dizer de órgãos necessários à vida que não podem ser doados por uma pessoa viva? Bem, eu poderia firmar um contrato com outra parte, para que, depois da minha morte, meu órgão ou meus órgãos pudessem ser vendidos, e os rendimentos irem para minha família. Seria legal, é claro, se essa renda não fosse tributada, mas aí é uma outra história.

A. Frank Adams, A.H.Barnett, e David Kaserman (Contemporary Economic Policy, April 1999) e William Barnett II, Michael Saliba, e Deborah Walker (The Independent Review, Winter 2001) estão dentre aqueles que estudaram os aspectos econômicos da oferta e demanda dos mercados de órgãos atual e a alternativa. Entretanto, ainda mais importante do que os aspectos econômicos, está a questão moral. A quem pertence o meu corpo? Seja qual for a sua visão religiosa, eu espero que esteja claro que a resposta não é, e nem deveria ser, o governo.

Se eu peso os custos e benefícios em vender meus órgãos, por que alguém deveria se importar? Estaria eu forçando alguém a abrir mão de um rim? De fato, eu estou ajudando meus semelhantes de duas maneiras. Primeiro, eles podem ser os receptores de um órgão algum dia, e, segundo, o incentivo para “colher” órgãos cairá dramaticamente uma vez que exista um preço de mercado livre em lugar de um preço artificial, resultado de uma restrição na oferta. Desta maneira, o risco de alguém ser “forçado” a abrir mão de seus órgãos será reduzido.

Talvez eu esteja exagerando, porque, obviamente, este não é um grande problema nos Estados Unidos. Mas e as pessoas, inclusive crianças, nos países do Terceiro Mundo que correm esse risco? Se eu sou rico e não quero ou não posso esperar na fila por mais tempo, eu posso estar disposto a pagar um preço alto por um órgão, independentemente de onde ele venha. É isso o que nós queremos? A nossa “moralidade” nos cegou?

Existem aqueles que se opõem à venda de órgãos porque isto colocaria pessoas, especialmente as mais pobres, em risco cirúrgico. Mas, deveria o governo legislar sobre decisões de tomadas de risco? Dirigir um carro deveria ser considerado legal? E voar? Bungee jumping? Montanha-russa? Até onde iria?

De fato, talvez os pobres, que os opositores acreditam que seriam os primeiros a entrar neste mercado, podem na verdade se beneficiar de uma renda mais alta. Posteriormente, tão logo a oferta de órgãos aumentasse, os benefícios econômicos seria menores; por conseqüência, as pessoas não poderiam se aposentar com a renda obtida da venda de um rim. De qualquer maneira, um pagamento de pequeno valor pode ser útil para muitos americanos. Novamente, cada um sabe ou não, mais do que qualquer outra pessoa, o que é melhor para si?

Se o governo federal quer realmente amenizar a atual crise de escassez de órgãos, deveria, então, remover as barreiras à compra e venda organizada de órgãos.

O direito de propriedade mais importante e sagrado é o direito ao próprio corpo. Um dos conceitos mais importantes em economia é que as duas partes saem ganhando em uma transação voluntária. Parece, então, que aqueles que desejam modificar o status quo tem a moralidade do seu lado.

* * * * *
Ninos P. Malek é Professor de Economia na San Jose State University (San Jose, CA), De Anza College (Cupertino, CA), e Valley Christian High School (San Jose, CA). Veja seu arquivo e lhe envie um EMAIL. Veja também The Case for Selling Human Organs.


Tradução: Fábio M. Ostermann

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

A PRIVATIZAÇÃO DE PRESÍDIOS PODE SALVAR O SISTEMA PENITENCIÁRIO BRASILEIRO

É isso mesmo. Até porque, pior do que está, é difícil de ficar. Mas é bom consolidar alguns pontos, preliminarmente.

Privatização de presídios não significa fazer um leilão em que a empresa vencedora leva o estabelecimento penal de “porteira fechada” (isto é, com todos os presos junto). Nem se aplica apenas a “presídios” - estabelecimentos penais destinados à custódia de presos provisórios. A palavra “privatização” refere-se ao ato de reduzir o papel do governo, ou de dar maior importância ao setor privado, numa atividade ou na propriedade de bens. No caso, trata-se da delegação à iniciativa privada de atividades penitenciárias (mal) exercidas pelo poder estatal.



Experiências neste sentido já existem em países tão diversos como Estados Unidos, Bulgária, Alemanha, Chile, México, Irlanda, Israel, Escócia, Canadá, Austrália e Peru. O Brasil teve sua primeira experiência em 1999, com a Penitenciária Industrial de Guarapuava, no Paraná. A despeito dos surpreendentemente baixos índices de reincidência criminal dos egressos desta penitenciária (cerca de 10%, comparados com a média nacional de 70%) e dos visíveis incrementos em termos de respeito aos direitos humanos dos presos (eles são seres humanos, lembra?!), o contrato com a empresa Humanitas Administração Prisional não foi renovado pelo governador Roberto Requião (não por acaso, conhecido como “Hugo Chávez Paranaense”).

A privatização não representa, logicamente, a panacéia curadora de todos os males do sistema carcerário brasileiro. Mas a gestão privada de prisões conta com um ponto fundamental a seu favor em relação à gestão estatal: tanto as empresas como os seus funcionários estão submetidos ao rígido controle do mercado – através da boa e velha concorrência.

No setor privado, a empresa (através de seus funcionários) atua com base na relação de causa e efeito existente entre bom desempenho e ganhos monetários. Logo, a empresa tem o incentivo econômico para prestar os serviços penitenciários com qualidade, respeitando direitos humanos do preso e demais disposições contidas no contrato firmado com o Estado. A concorrência se dá após o lançamento do edital de licitação (quando as diversas empresas competem pelo contrato), mas também durante o adimplemento do contrato, pois a Administração Pública pode a qualquer momento rescindir unilateralmente o contrato em razão de interesse público, contratando outra empresa, se for o caso.

Já no que toca ao setor público, a realidade é outra. Performances fracas e fracassos na obtenção de resultados são freqüentemente utilizados pelos gestores públicos como um argumento para conseguir mais verbas para o seu objeto de gestão, ocasionando mais e mais ineficiência. De fato, é fácil perceber em que direção agem os incentivos econômicos a que estão submetidos os funcionários públicos. Salvo (honrosas e louváveis) exceções, a lógica do serviço público é quanto mais se trabalha, mais trabalho se recebe, e, com isso, mais responsabilidade e incomodação se acumula – recebendo em seu contracheque valor semelhante ao do colega acomodado (que usa parte do seu tempo para estudar para algum outro concurso, falar mal do puxa-saco ou anti-social que trabalha até tarde, paquerar a moça do xerox, etc.).

A privatização de presídios significa, portanto, a utilização da eficiência e da vontade de lucrar das empresas para a consecução de fins públicos – a administração penitenciária de maneira humanamente aceitável. Seja através da terceirização (co-gestão) ou na forma de PPP, a iniciativa privada já demonstrou mundo afora (e tem demonstrado no Brasil nos 16 estabelecimentos penais já “privatizados”) o seu potencial em reduzir custos e melhorar a qualidade dos serviços penitenciários. A sociedade civil e a Academia devem ficar de olho para que experiências exitosas nesse sentido não sejam barradas por preconceitos ideológicos de políticos inspirados por idéias historicamente equivocadas.

Politically Incorrect Guide to Politics - John Stossel

Como o Brasil precisa de um John Stossel!! O cara é foda!



















Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

A sabedoria de Roberto Campos

Revirando uns antigos arquivos, encontrei uma compilação de trechos do livro "Reflexões do Crepúsculo", do Roberto Campos, feita por mim há uns 2 anos.

Segue, então, uma pequena parte da obra genial do maior pensador e político liberal brasileiro:



“São cinco os ismos fatais [presentes na política brasileira]: o populismo, o estruturalismo, o preotecionismo, o estatismo e o nacionalismo.

Como sabemos, o “populismo” latino-americano, com sua propensão a subsídios, controles e falso paternalismo, pretende distribuir mais do que consegue produzir. O populismo se propõe enriquecer os pobres empobrecendo os ricos, exercício que a experiência mundial revelou frustrante.

O “estruturalismo” favoreceu uma longa convivência com a inflação. Se a inflação provém de rigidez das estruturas, e se estas são de difícil reforma, subestima-se a importância e a eficácia da austeridade monetária e fiscal.

O “protecionismo” levou-nos a descurar a exploração das linhas naturais de vantagem comparativa. A proteção às indústrias nascentes estendeu-se às indústrias senis. As doutrinas da CEPAL, que intoxicaram toda uma geração de economistas, criaram excessivo entusiasmo pela industrialização substitutiva de importações e grave subestimação da eletricidade das exportações, se praticadas taxas cambiais realistas. O protecionismo exacerbado – a ponto de barrar não só a entrada de produtos mas também de produtores – favoreceu a cartelização da economia, gerou um viés inflacionário, relegou a segundo plano o controle de qualidade e resultou numa baixa produtividade da economia. As reservas de mercado se tornaram reservas de incompetência.

O “estatismo” se manifestou sob diversas e deletérias formas. O Estado cresceu como regulador e investigador – arrogando-se poderes monopolísticos – e apequenou-se como o provedor clássico de externalidades: educação, saúde, saneamento básico, segurança e justiça.

O último dos ismos é o “nacionalismo”. O nacionalismo só é útil na fase de criação das nacionalidades e de consolidação territorial. Transposta esta fase, torna-se uma barreira à absorção de capitais e tecnologia. Passa a ser disfuncional. O nacionalismo brasileiro não integra, divide. Apenas rejeita, não mobiliza. Satisfaz a necessidade primitiva de odiar. Mas a essência do problema não é amar nem odiar. É compreender.” (pp. 35-36)


“Começo a acreditar que um parlamentarismo sério é uma experiência a ser tentada, como solução meditada e não artifício de emergência. E por uma razão cristalinamente simples. As leis devem ser aplicadas por aqueles que as fazem. Só assim os legisladores sentirão a efetiva medida das conseqüências e terão de enfrentar o fato de que lhes cabe descobrir os recursos necessários para pagar os gastos que autoprizam. O sonho do político é votar a despesa sem necessariamente votar a receita, da mesma forma que o sonho do economista, no combate à inflação, é manter a lei da oferta e revogar a lei da procura.” (pág. 38)


“Nossa agenda social deve incluir uma redefinição das funções do Estado. O Estado moderno é o Estado modesto. Deve ele reorientar seus investimentos. Ao invés de se espraiar na formação de capital físico, em concorrência com a empresa privada, sua dedicação dominante deve ser a formação do capital humano. Num Estado liberal e democrático, há que preservar e alargar as opções do indivíduo. Essa opção é sobretudo importante em dois campos. O indivíduo deve ser livre para optar pela previdência pública, se confia nos serviços do Estado, ou pela previdência privada, se acredita que o indivíduo deve prover sua seguridade pelos métodos que escolher, pois ninguém deve obrigá-lo a ser feliz à sua maneira.

No plano educacional, há também que assegurar liberdade de opção. O provimento da educação primária deve ser gratuito. Nos demais níveis, o princípio que deve prevalecer é o do “vale-educação”, que permita às famílias pobres optar entre a escola pública e a escola privada, a leiga e a confessional. Os recursos do contribuinte devem ser destinados a garantir a liberdade de opção e não a privilegiar a gratuidade da escola pública, frqüentemente sujeita a manipulações políticas e ideológicas.” (pp. 39-40)


“Falara eu, sete anos atrás, na “nova demonologia”, esse misto de ambivalência e escapismo, que nos levava a querer os investimentos estrangeiros, sem investidores estrangeiros. E a buscar desculpas eternas para evitar reformas internas. Em nossa psiquê, os demônios são variados mas a demonologia é constante. Havia antigamente a Light e os trustes do petróleo. Mais tarde surgiram as “multinacionais”, hoje reabilitadas pelas propostas amorososas do líder comunista Gorbatchev. Agora descobrimos um demônio de múltiplo uso – a dívida externa – que explicaria todos os nossos males, não fosse um intrigante detalhe: todos os países que proclamaram moratórias, como Peru e o Brasil, experimentaram inflação estagnação, enquanto vários que preferiram a negociação lograram estabilidade e crscimento, como o Chile e a Coréia do Sul.” (pp. 47-48)


“Muitos no governo e no Congresso pensam que podem aumentar os salários por “ukase” legislativo ou decreto executivo. Infelizmente, o que podemos manipular são apenas os salários nominais. Se estas se descompassarem em relação à oferta e à procura, o mercado responderá com mais inflação ou mais desemprego.

Por isso defendo há anos a livre negociação salarial no setor privado. À última slarial, como todas as outras, é um ente de ficção. As empresas que têm produtividade, ou conseguem repassar custos, dão mais do que a lei prevê; as que enfrentam conjuntura adversa de mercado, desempregam gente ou emigram para a economia informal, onde inexiste proteção salarial e previdenciária.” (pág. 49)


“Costumo dizer que os países se distinguem entre os naturalmente pobre e vocacionalmente ricos, como o Japão ou a Córeia do Sul, e os naturalmente rico e vocacionalmente pobres, como o Brasil ou a Indonésia. A vocação da pobreza deflui da incapacidade de aprender as lições de história e da falsa percepção de que o importante são as riquezas naturais. O importante são as riquezas artificiais de educação e da tecnologia, que transformam mesquinhos territórios como os da Alemanha e do Japão em superpotências econômicas.” (pág. 50)


“A privatização, além do significado democrático de evitar que o Estado, monopolista do poder político, concentre também excessivo poder econômico, traz importantes contribuições à luta antiinflacionária: a) produz receitas para o governo; b) diminui déficits; c) aumenta a eficiência global da economia; e d) absorve pessoal liberado pela desmassificação do Estado.” (pp. 52-53)


“O choque da liberdade consistiria na desregulamentação da economia, com o fito de estimular a produção, reduzir custos e corrupção e fomentar a competição. Para isso, urge proclamar as seis liberdade:

* A liberdade de preços, para que ningué4m se abstenha de produzir ou seja levado a remarcar, com medo do congelamento;

* A liberdade de negociação salarial para o setor privado, o que permitiria relegalizar uma parte do setor informal;
* A livre flutuação da taxa de câmbio, a fim de se criar um instrumento automático de correção de desequilíbrios de pagamentos;
* A liberdade de produção, pela eliminação de cartórios e reservas de mercado;
* A liberalização comercial, substituindo-se quotas e licenças de importação por tarifas módicas e realistas;
* A liberdade de ingresso de investimentos estrangeiros.” (pág. 53)


“Considero um desastre histórico para o Brasil que nossa nova constituição tenha sido votada oito a nove meses antes da profunda transformação política e cultural que ocorreu no mundo no “annus mirabilis” de 1989. Votamo-la em outubro de 1988, quando não se tinha ainda clara percepção da falência dos regimes de dirigismo e planificação, do colapso do comunismo e da avassaladora superioridade das economias de mercado. A agonia do comunismo, a morte do dirigismo e a desmoralização do intervencionismo, se revelaram dramaticamente a partir da rebelião polonesa no verão de 1989, seguida pela liberalização da Hungria, Tchecoslováquia e Romênia. Morria o ideário socialista e renascia o capitalismo democrático.

A Constituição Brasileira nasceu assim como uma espécie de “anacronismo planejado”. Endossa o planejamento central, a discriminação contra os capitais estrangeiros, a nacionalização dos minérios, a proibição dos contratos de risco, a continuação das reservas de mercado.

Hoje teríamos escrito uma constituição muito mais liberal e modernizante.. Pois, como dizia Victor Hugo: Nada mais forte que uma idéia cujo tempo já chegou”. (pp. 57-58)


“No capitalismo, a soberania cabe ao consmidor, no socialismo, a soberania é do planejador. Nas confusas economias da América Latina, que não atingiram ainda a era capitalista – pois não passam de sociedades mercantilistas e patrimonialistas – a soberania não é nem de um nem de outro. É ambiguamente divida entre o planejador e o empresário cartorial.” (pág. 58)

Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Roberto Fendt fala sobre a Crise



O economista Roberto Fendt, Vice-Presidente do Instituto Liberal, fala sobre a crise e suas causas neste vídeo na GloboNews:






E neste artigo (mais liberal do que a manifestação na Globo News):

http://www.institutoliberal.org.br/il_na_midia.asp

E agora, social-democratas e conservadores?

ROBERTO FENDT

“As críticas não se dirigem aos liberais. A crise foi gerida pela parceria de um presidente conservador com um Congresso social-democrata”


NAS ÚLTIMAS semanas, com o recrudescimento da crise financeira, os liberais brasileiros viraram saco de pancadas de todos os descontentes com o que supõem ser os males do liberalismo.


Nesta mesma Folha perguntou-se que figurino vai usar agora quem toca o bumbo do liberalismo econômico no Brasil ("E agora, liberais?", 30/9, pág. A2).


Muitos liberais ficaram indignados com essa e outras críticas semelhantes. A esses aconselho moderação e tolerância; porque não se trata de má vontade e menos ainda de má-fé dos críticos.

Trata-se, na verdade, de um profundo equívoco semântico.

Aqueles que atribuem os males do mundo aos liberais americanos, que nos teriam metido nesse imbróglio financeiro, ignoram dois fatos. O último presidente liberal americano foi John Quincy Adams, cujo mandato durou de 1825 a 1829. Também liberais foram os primeiros presidentes americanos -George Washington (1789-1797), John Adams (1797-1801) e Thomas Jefferson (1801-1809)-, mas não o foi o antecessor de Quincy Adams, James Monroe (1817-1825).


Desde então, os Estados Unidos foram presididos por políticos de todos os matizes, menos liberais.


Mais recentemente, uma onda conservadora sucedeu aos social-democratas Franklin Delano Roosevelt e Bill Clinton. O expoente dessa corrente é George W. Bush. A eles devemos a crise. O candidato liberal na corrida presidencial dos EUA deste ano foi Ronald Ernest Paul -Ron Paul, como é mais conhecido-, deputado federal pelo Texas. O perfil político de Paul já diz tudo: é constitucionalista, libertário e se opõe às intervenções militares dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão*. Em 1988, concorreu à Presidência pelo Partido Libertário Americano. Por seu perfil, jamais empolgou o eleitorado americano, dividido que está entre social-democratas e conservadores.


Já os liberais brasileiros estão fora do circuito dos diversos matizes da social-democracia que nos governa desde pelo menos 1994, aí incluída a atual administração.


Quanto à crise, os liberais brasileiros se opõem a qualquer plano de "salvamento" dos bancos e demais instituições financeiras, preocupando-se, sim, com os recursos dos cidadãos comuns depositados e investidos nessas instituições.


Preocupam-se também com crises sistêmicas, pois sempre sobram para a gente. Sofremos as conseqüências das crises sistêmicas de 1929 e 1931, das cadernetas de poupança americanas ("savings and loans") da década de 1980 e sofreremos com a atual, que já vem desde a crise do banco Bear Stearns, de meados de 2007.


A crise é mais longa do que se pensa, mas foi toda gerida pela parceria de um presidente conservador com um Congresso social-democrata.


A tradição dos liberais não tem nada a ver com os que endividaram o Brasil, dentro e fora, nem com o crescimento avassalador da carga tributária, que, se não incomoda colunistas, empobrece os brasileiros comuns.


A tradição liberal remonta a Pimenta Bueno, Frei Caneca, Tavares Bastos, José de Alencar, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa, para citar apenas alguns e evitar ofender os vivos, pela eventual omissão.


Calcados nessa tradição, quase todos os liberais brasileiros se opuseram à proposta original do secretário do Tesouro americano por razões variadas. A maioria porque o plano original pretendia usar o dinheiro do contribuinte para comprar os papéis "micados" nos ativos dos bancos, premiando a negligência e irresponsabilidade dos gestores e acionistas; outros adicionaram a isso o pedido indecente de poderes para gerir US$ 700 bilhões dos contribuintes sem dar satisfação a quem quer que seja.


Os liberais brasileiros não estão comprometidos com um "pensamento único". Um grande número de liberais é favorável a que não haja nenhuma intervenção do governo no sistema financeiro, já que a liberdade de tomar riscos deve vir acompanhada da responsabilidade de arcar com as conseqüências. Mas outros, tendo em conta o caráter sistêmico da crise e o fato de que na raiz da solução do problema está a capitalização do sistema financeiro, recomendam alternativas sem benevolência com as instituições, seus gestores e acionistas, como a aquisição de participações acionárias.


Do exposto, fica claro que as críticas não se dirigem aos liberais, mas aos conservadores e social-democratas. Por essa razão, tenho recomendado paciência e tolerância com aqueles que, por ignorância, nos atribuem o que pertence a terceiros.


ROBERTO FENDT , 64, doutor em economia pela Universidade de Chicago (EUA), é vice-presidente do Instituto Liberal.



(*apenas com a ressalva de que Ron Paul foi favorável, sim, à guerra ao governo talibã do Afeganistão, por se tratar de uma resposta imediata a uma agressão injusta)



Domingo, 28 de Setembro de 2008

Culpando a vítima pelo crime

O capitalismo de livre-mercado é o culpado pela crise no mercado financeiro americano. Seria engraçado se não fosse triste e não trouxesse como conseqüência mais daquilo mesmo que causou o mal que agora se tenta curar. Na realidade, estão tentando nos empurrar a versão de que o "livre-mercado falhou", e é por isso que o Estado deve, com o dinheiro do contribuinte (tenha ele títulos podres ou não), salvar empresas em dificuldades, evitando, assim, a ocorrência de um devastador efeito dominó no mercado financeiro internacional.

Errado. Não é característico do livre-mercado ter o governo na incumbência de salvador de empresas e indivíduos que calcularam mal seus riscos e possibilidade de lucros. Como um pai superprotetor que dá demonstrações de que sempre estará por perto para amparar seu filho e limpar suas sujeiras deixadas pelo caminho, o governo dá um claro sinal aos agentes econômicos (especialmente aos mais graúdos): caso algo dê errado, estarei por perto. Indivíduos racionais agem de acordo com os incentivos que lhes são dados e, neste caso, a tendência é abusar ainda mais da sorte diante de tal garantia.

Envio, abaixo, links para dois textos interessantes que podem ser de alguma valia para se compreender essa questão.

Resta lamentar e esperar que deus salve a América dos seus governantes.


Blaming the Victim: The Free Market - Gary North
http://www.lewrockwell.com/north/north657.html

De quem é a culpa? - Rodrigo Constantino
http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2008/09/de-quem-culpa.html

Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Promotor compara MST a guerrilha e quer declarar o movimento ilegal

Finalmente o Ministério Público do Rio Grande do Sul deixou seu estado de inércia negligente, agindo finalmente em defesa da ordem jurídica e do regime democrático, seus deveres constitucionas estabelecidos pelo art. 127 da Constituição Federal.

Ouçam a entrevista dada pelo Promotor Gilberto Thums ao UOL:

http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/06/24/ult23u2493.jhtm

Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Socialismo e drogas


Ludwig von Mises foi, sem dúvida, um dos pensadores mais influentes do século XX. A ampla divulgação que vem sendo dada à sua extensa obra, bem como às suas previsões a respeito do inexorável fracasso do socialismo (Mises demonstrou em 1922 como o Socialismo é um sistema econômico insustentável, devido à impossibilidade de cálculo econômico), tem sido responsável pela sua crescente aceitação no meio acadêmico e pelo público leigo em geral.

Em síntese, o cara era foda! Quem quiser ter acesso a algumas pílulas de sabedoria, deve acessar http://mises.org/quotes.aspx


Pois bem, abaixo segue um excerto do capítulo “Socialismo”, da obra “As Seis Lições”, em que ele trata de um assunto sempre atual: a questão das drogas.


A visão do governo como uma autoridade paternal, um guardião de todos é própria dos adeptos do socialismo. Nos Estados Unidos, o governo empreendeu certa feita, há alguns anos, uma experiência que foi qualificada como “nobre”. Essa “nobre experiência” consistiu numa lei que declarava ilegal o consumo de bebidas tóxicas. Não há dúvida de que muita gente se prejudica ao beber conhaque e uísque em excesso. Algumas autoridades nos Estados Unidos são contrárias até mesmo ao fumo. Certamente há muitas pessoas que fumam demais, não obstante o fato de que não fumar seria melhor para elas. Isso suscita um problema que transcende em muito a discussão econômica: põe a nu o verdadeiro significado da liberdade.

Se admitirmos que é bom impedir que as pessoas se prejudiquem bebendo ou fumando em excesso, haverá quem pergunte: ‘Será que o corpo é tudo? Não seria a mente do homem muito mais importante? Não seria a mente do homem o verdadeiro dom, o verdadeiro predicado humano?” Se dermos ao governo o direito de determinar o que o corpo humano deve consumir, de determinar se alguém deve ou não fumar, deve ou não beber, nada poderemos replicar a quem afirme: “Mais importante ainda que o corpo é a mente, a alma, e o homem se prejudica muito mais ao ler maus livros , ouvir música ruim e assistir a maus filmes. É pois dever do governo impedir que se cometam esses erros.’

E, como todos sabem, por centenas de anos os governos e as autoridades acreditaram que esse era de fato o seu dever. Nem isso aconteceu apenas em épocas remotas. Não faz muito tempo, houve na Alemanha um governo que considerava seu dever discriminar as boas e as más pinturas – boas e más, é claro, do ponto de vista de um homem que, na juventude, fora reprovado no exame de admissão à Academia de Arte, em Viena: era o bom e o mau Segunda a ótica de um pintor de cartão-postal. E tornou-se ilegal expressar concepções sobre arte e pintura que divergissem daquelas do Führer supremo.

A partir do momento em que começamos a admitir que é dever do governo controlar o consumo de álcool do cidadão, o que podemos responder a quem afirme ser o controle dos livros uma idéia muito mais importante?

Liberdade significa realmente liberdade para errar. Isso precisa ser bem compreendido. Podemos ser extremamente críticos com relação ao modo como nossos concidadãos gastam seu dinheiro e vivem sua vida. Podemos considerar o que fazem absolutamente insensato e mau. Numa sociedade livre, todos têm, no entanto, as mais diversas maneiras de manifestar suas opiniões sobre como seus concidadãos deveriam mudar seu modo de vida: eles podem escrever livros; escrever artigos; fazer conferências. Podem até fazer pregações nas esquinas, se quiserem – e faz-se isso, em muitos países. Mas ninguém deve tentar policiar os outros no intuito de impedi-los de fazer determinadas coisas simplesmente porque não se quer que as pessoas tenham a liberdade de fazê-las.”

MISES, Ludwig von, As Seis Lições, 3. ed., Rio de Janiro: Instituto Liberal, 1989, pp. 20-22.


Abaixo, excelente vídeo da dupla Penn & Teller sobre o que faz a "Guerra às Drogas":

Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Protecionismo


Seguindo a agenda protecionista do candidato Barrack "Yes We Can" Obama, vale a pena dar uma olhada nesse videozinho da Reason Magazine (a melhor - talvez a única - revista liberal dos EUA http://www.reason.com) :



Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Cada medalha olímpica brasileira custou R$ 50 milhões!!


Num país em que o ensino é um dos piores do mundo, centenas de pessoas morrem nas filas de hospitais e postos de saúde e onde é absolutamente anormal viver em uma grande cidade e nunca ter tido uma arma apontada para a sua cabeça, veja para onde vai o dinheiro dos nossos impostos:



Cada medalha olímpica brasileira custou R$ 50 milhões


Pode ter faltado competência, equilíbrio emocional e sorte, mas verba não faltou. O último ciclo olímpico (2005-2008), que culminou com a Olimpíada de Pequim, foi o que mobilizou maiores recursos federais em favor do esporte brasileiro, a título de preparação para a maior competição do esporte mundial. As estatísticas apontam que mais de R$ 650 milhões foram gastos em prol do esporte olímpico (veja tabela). O dinheiro é contabilizado por meio dos recursos das loterias, das empresas estatais, do fundo de incentivo fiscal e do Ministério do Esporte, com o Programa Brasil no Esporte de Alto Rendimento, o Brasil Campeão, que inclui o bolsa-atleta. Com isso, cada uma das 13 medalhas conquistados pelo País na China (excluindo as duas do futebol, que não recebe dinheiro público) custou cerca de R$ 50,4 milhões aos cofres públicos.

Entre 2005 e 2008, o montante investido no esporte brasileiro, R$ 654,7 milhões, é procedente de diversas fontes: R$ 265,7 milhões destinados ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por meio da lei das loterias criada em 2001, que obriga o destino de 2% das loterias federais aos comitês Olímpico e Paraolímpico brasileiros; R$ 34,4 milhões oriundos da lei de incentivo ao esporte, aprovada em 2006 e que concede isenção fiscal à pessoa física ou jurídica que fizer doação a um projeto esportivo; R$ 247,9 milhões de patrocínios das empresas estatais e mais de R$ 107 milhões aplicados pelo governo federal no Programa Brasil no Esporte de Alto Rendimento.

Parte do dinheiro computado pela lei de incentivo fiscal ao esporte foi destinado às confederações de boxe (R$ 4,8 milhões), de judô (R$ 1,9 milhão) e de tênis de mesa (R$ 564,5 mil), para o Minas Tênis Clube (pouco mais de R$ 1 milhão), além de R$ 26 milhões para o COB. Já entre os patrocínios das estatais estão os R$ 42 milhões e os R$ 5,9 milhões destinados pela Caixa Econômica Federal ao atletismo e à ginástica, os R$ 38 milhões dos Correios para a natação, os R$ 40 milhões da Eletrobrás para o basquete, os R$ 10 milhões da Infraero ao judô, os R$ 11,2 milhões pagos pela Petrobras ao handebol e os cerca de R$ 100 milhões do Banco do Brasil para o vôlei.

Com a proximidade dos Jogos Olímpicos de Pequim, o Programa Brasil no Esporte de Alto Rendimento, o Brasil Campeão, foi o segundo programa mais bem contemplado pelo Ministério do Esporte esse ano, com R$ 51,1 milhões recebidos. O programa tem o objetivo de aperfeiçoar atletas de alto rendimento a partir da implantação de centros de treinamento; modernizar centro científico e tecnológico para o esporte e implantar infra-estrutura para a prática desportiva nas instituições de ensino e entidades parceiras, beneficiando o esporte educacional. A verba também é usada, entre outros fins, para custear o sistema de avaliação de atletas, o pagamento de quase três mil bolsas e para a promoção e participação de 1,2 mil atletas portadores de deficiência.

Os resultados conquistados pelo Brasil em Pequim, inferiores em termos de medalhas de ouro aos de Atenas, vão certamente provocar inúmeras discussões. Segundo diversos especialistas, como José Cruz, da editoria de esportes do Correio Braziliense, embora não se pretenda que a política esportiva do Brasil seja dirigida apenas para a formação de atletas - o prioritário é que a educação esportiva ajude na formação do cidadão, na saúde e na inclusão social - a ampliação "da base da pirâmide" do esporte de alto rendimento depende da estreita relação entre o esporte e a educação, assim como acontece nos Estados Unidos, na China e em Cuba (apesar de não ter sido destaque em Pequim). Nestes países, os talentos esportivos são descobertos nas escolas e, desde cedo, as crianças são treinadas para evoluir nas modalidades que praticam.

Outra crítica levantada por Cruz é de que os recursos atualmente disponíveis para o COB e às confederações esportivas estão concentrados no "topo da pirâmide", sendo injetados, quase que exclusivamente, em atletas de ponta, já consagrados. "Ao contrário do que ocorria em décadas passadas, não faltam recursos ao desporto nacional, mas sim gestão e fixação de prioridades. O desporto na base sofre com a falta de verba, além da educação fisíca nas escolas ser praticamente inexistente", afirma Cruz. Isso contraria a própria Constituição Federal, que afirma que é "dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento".

Diante da discussão, alguns parlamentares, como o deputado Miro Teixeira, pretendem levar o debate em torno da questão da aplicação dos recursos no esporte brasileiro ao Congreso, inclusive com a criação de uma CPI. O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, prefere não comentar sobre as aplicação globais da União em favor do esporte de alto rendimento, tendo em vista que gerencia apenas os recursos provenientes das loterias, cuja a distribuição é divulgada e auditada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O presidente do COB destaca a expansão do esporte brasileiro citando medalha obtida no taekwondo, a particação do Brasil em 38 finais (contra 30 em Atenas) e a participação da delegação feminina. O presidente afirma não temer a eventual realização de uma CPI. Ele argumenta que tais questionamentos são comuns em períodos pós jogos olímpicos.

Os recursos destinados ao ciclo das Olimpíadas de Atenas 2004 para o esporte brasileiro somaram cerca de R$ 280 milhões, ou seja, menos da metade do desembolsado com os jogos de Pequim. Na Grécia, com a presença de uma delegação de atletas menor (247 contra 277 este ano), o Brasil fez a melhor campanha de todos os tempos com a conquista de cinco ouros. No entanto, somando todas as medalhas conquistadas naquele ano, 10 no total, o custo aos cofres públicos foi mais barato; alcançou a cifra de R$ 28 milhões por medalha.

Vale ressaltar que os valores aplicados no esporte de alto rendimento considerados poderiam ser ainda maiores caso fossem incluídos os gastos e os investimentos feitos pelo Ministério do Esporte com o Programa Rumo ao Pan 2007. Criado em 2004, o programa recebeu apenas dos cofres da pasta quase R$ 1 bilhão para ser aplicado na realização do evento no Rio de Janeiro.

Leandro Kleber
Do Contas Abertas

http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias.asp?auto=2358

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Criado o Blog do CERC!!


Foi criado ontem o blog do Círculo de Estudos Roberto Campos, o CERC. Trata-se de um grupo formado por estudantes de Direito e Economia da UFRGS (dentre os quais este que vos escreve), criado em 2007. O grupo tem por objetivo promover atividades de debates, estudos e pesquisa acerca da realidade jurídica, política e econômica do Brasil através de uma abordagem interdisciplinar que possibilite um diálogo entre estes ramos do conhecimento.

O endereço é http://blogdocerc.blogspot.com/ e devemos contar em breve com atualizações tais como textos de opinião, entrevistas, vídeos, podcasts, etc. O céu é o limite!

De lambuja, vai, aí, um trecho da participação do nosso patrono, o sempre lúcido e brilhante Bob Fields, no Roda Viva.

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Educação e capitalismo: aliados ou inimigos?




Educação e capitalismo: aliados ou inimigos?

http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/index_140508.shtml


Gustavo Ioschpe

Economista, especialista em educação
E-mail: gustavo.ioschpe@gmail.com
“de omnibus dubitandum est”
(duvide de tudo)


"Esperando pela revolução social, abandonamos
a possibilidade da revolução mais maravilhosa que
existe: a que se dá pelo conhecimento. Silenciosa
e pacífica, é a verdadeira redentora: perto de dominar
a eternidade representada pelo saber, desapropriar
uma fábrica ou fazenda parece brincadeira de criança"

Virou consenso no Brasil associar o nosso fracasso educacional com as maquinações do sistema capitalista/neoliberal. Segundo essa leitura, calcada em Marx, interessaria aos "poderosos", à "elite", que o proletariado não fosse instruído ou, no máximo, recebesse uma educação totalmente "alienante", para que não questionasse suas mazelas nem incomodasse o status quo e apenas continuasse fornecendo sua mão-de-obra barata para a manutenção do sistema. Essa leitura da situação se tornou absolutamente hegemônica: vai da imprensa à academia, dos mais louvados pensadores do tema à correspondência enviada a este articulista por professores dos grotões do Brasil. Vejamos alguns exemplos. De Emir Sader: "A educação, que poderia ser uma alavanca essencial para a mudança, tornou-se instrumento daqueles estigmas da sociedade capitalista: ‘fornecer os conhecimentos e o pessoal necessário à maquinaria produtiva em expansão do sistema capitalista, mas também gerar e transmitir um quadro de valores que legitima os interesses dominantes’. Em outras palavras, tornou-se uma peça do processo de acumulação de capital e de estabelecimento de um consenso que torna possível a reprodução do injusto sistema de classes. (...) No reino do capital, a educação é, ela mesma, uma mercadoria. Daí a crise do sistema público de ensino, pressionado pelas demandas do capital (...)". Lucyelle Pasqualotto: "Podemos analisar que a educação como vem sendo, historicamente, organizada está para atender ao capital, numa sociedade inerentemente excludente e contraditória. (...) Oferece diferentes níveis, modalidades, métodos educacionais, a fim de dar continuidade ao seu elemento diferenciador e, ao mesmo tempo, apregoando o discurso da unificação e universalização da educação. Discurso este que, em uma sociedade capitalista, onde os meios de produção, inclusive o conhecimento[,] são propriedade privada, quanto muito pode proporcionar uma educação mercantilizada, excludente e diferencial". Amelia Hamze: "Proporcionar a qualidade de ensino e a gestão democrática da escola levaria a invalidação da sustentação do poder amparada pelo estado capitalista".

Edward Gooch/Hulton Archive/Getty Images

Trabalho infantil na Inglaterra durante a Revolução Industrial

Essas teses, como de costume, são apenas frutos da verborragia dos "pesquisadores" que as produzem. Não vêm embasadas por nenhuma tentativa de comprovação quantitativa – até porque a maioria de seus autores se confunde com qualquer operação matemática ou estatística que requeira sofisticação maior do que calcular o troco do táxi e costuma, convenientemente, mascarar essas deficiências sob um discurso ideológico segundo o qual a própria quantificação, do que quer que seja, seria uma vitória da superestrutura neoliberal, mercantilista. É pena, porque essa teoria – de que o capitalismo requer a falta de educação, ou a educação de baixa qualidade – é facilmente conversível em uma hipótese testável. Se esses pensadores estiverem certos, espera-se que os países mais capitalistas sejam aqueles com os piores e mais excludentes sistemas educacionais, enquanto aqueles em que o capitalismo não conseguiu estender seus tentáculos malévolos deveriam ter populações formadas por cidadãos altamente instruídos e intelectualizados.

Em realidade, o que ocorre é exatamente o oposto: quanto mais capitalista o país, melhor e mais abrangente é o seu sistema educacional. Cruzei os dados referentes a educação e capitalismo de 167 países (clique aqui para ver o gráfico). Usando o instrumento da estatística de regressão, descobre-se que o desempenho educacional explica, por si só, 47% da posição de um país na escala do capitalismo. A relação é estatisticamente fortíssima: a probabilidade que a percebida ligação entre as duas variáveis seja fruto de erro é inferior a 0,00000001%. Essa robustez não é casual: indica que o sistema capitalista exige sociedades com alto nível educacional, e, quanto mais instruída é a população, mais capitalista o país tende a ser, e vice-versa.

Por que no Brasil ainda se acredita no oposto? É a junção do mofo intelectual com a vigarice. Marx já cometia erros de interpretação da realidade quando escrevia seu Manifesto Comunista e O Capital, há 150 anos. O que se aplicava àquela realidade histórica, porém, não se aplica à nossa – o capitalismo mudou, e muito, neste século e meio. O período do início da Revolução Industrial era, sim, uma época em que a competência necessária ao trabalhador era mínima e sua jornada de trabalho era desumana. Para apertar parafusos em uma linha de montagem esfumaçada por dezesseis ou vinte horas por dia, em repetição incessante, era apenas necessário alguém que soubesse ler, se tanto. O capitalismo do século XXI, porém, é outro. O conjunto de habilidades e conhecimentos necessários é muito maior – até para trabalhar em uma linha de montagem de uma fábrica é preciso capacidade analítica para lidar com um maquinário cada vez mais sofisticado. E, quanto mais capitalista e desenvolvido um país se torna, mais diminui a importância das áreas fabril e de produção de commodities e aumenta o peso de setores de serviço e de alta tecnologia, em que o principal insumo é o cérebro das pessoas. Não é por acaso que alguns campeões do capitalismo, como Coréia do Sul e Estados Unidos, hoje se aproximam da massificação da matrícula de ensino universitário, com taxas beirando os 90%. O profissional de sucesso do mercado internacional de hoje é a antítese do proletário da Inglaterra de Marx: precisa ser altamente capacitado em sua área e, ao mesmo tempo, ter uma formação multidisciplinar e abrangente. Enquanto isso, nossos pensadores continuam recebendo soldo dos nossos impostos para suas análises em que até hoje, quase vinte anos depois da falência do socialismo, tentam mostrar como Marx tinha razão. A essa incapacidade de alguns, soma-se o oportunismo de muitos. Esse tipo de análise reverbera no professorado porque o seu corolário é simples: o insucesso educacional é resultado de uma sociedade corrompida pelo capitalismo. Eu quero ensinar, mas a superestrutura não me permite. A única maneira de produzir uma mudança efetiva na educação é através da revolução social, e acreditar que o esforço individual de um professor ou diretor pode fazer qualquer diferença diante de forças sociais e históricas tão poderosas já seria uma rendição ao espírito atomista, ilusório, que é a marca do capitalismo. A falência intelectual pavimenta o caminho do conformismo e cinismo de cada um.

Jung Yeon-Je/AFP

Escola primária na Coréia do Sul: a educação como maior riqueza

Essa prisão mental em que nos encontramos acaba por prender em amarras o próprio país. Esperando pela revolução social, abandonamos a possibilidade da revolução mais maravilhosa que existe: a que se dá pelo conhecimento. Silenciosa e pacífica, é a verdadeira redentora: perto de dominar a eternidade representada pelo saber, desapropriar uma fábrica ou fazenda parece brincadeira de criança.

E essa é uma revolução em que não há perdedores. Todos os setores se beneficiam de uma população mais instruída. Em um mundo globalizado, a idéia de que a elite gostaria de confinar a população à ignorância para não ver sua posição ameaçada é fajuta. Se o empresário não tiver trabalhadores competentes, será destruído pela competição das empresas de outros países, com gente qualificada. Só há, estranhamente, um único tipo de organização, que eu saiba, que se beneficie de uma população iletrada: são os partidos de esquerda. Nas últimas eleições presidenciais, segundo o Datafolha, Lula só perdeu em um grupo: o dos eleitores com ensino superior. Entre eles, em pesquisa de 17 de outubro – doze dias antes da eleição, portanto – Lula tinha 40% das preferências, contra 50% de Alckmin. Felizmente, para ele, a maioria de nossa população só tem ensino fundamental, grupo em que o petista liderava por 57% a 28%.



Sábado, 5 de Julho de 2008

E os Correios entram em greve de novo...

O assunto greve dos Correios parece o tipo de assunto que nunca perde a atualidade. É sempre mais do mesmo:

http://panfletoliberal.blogspot.com/2008/04/por-que-os-correios-entram-em-greve.html

Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

O Ladrão Keynesiano



Excelente!!!

Este ladrão foi, na certa, um aplicado aluno de economia em alguma universidade pública brasileira...

Um mal negócio

Bah, essa e muito boa:



"Uma mulher escreveu pedindo dicas sobre como arrumar marido rico. Só isso já é engraçado, mas o melhor da história é que um cara deu a ela uma resposta bem fundamentada.

Dela:
'Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe.
Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site?
Ou esposas de gente que ganhe isso e possa me dar algumas dicas?
Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso, e 250 mil não vão me fazer morar em Central Park West.
Conheço uma mulher da minha aula de ioga que casou com um banqueiro e vive em Tribeca, e ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez de certo que eu não fiz? Como eu chego ao nível dela?'
Rafaela S.

Dele:
'Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação.
Primeiramente, não estou gastando o seu tempo, pois ganho mais de 500 mil por ano. Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: o que você oferece,
visto da perspectiva de um homem como você procura, é simplesmente um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples. Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro.
Proposta clara, sem entrelinhas.
Mas tem um problema. Com toda certeza, a sua beleza vai decair e um dia acabar, e o mais provável é que o meu dinheiro continue crescendo. Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação, e eu sou um ativo rendendo dividendos. Você não somente sofre depreciação como essa depreciação é progressiva, sempre aumenta!
Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5/10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano, e de repente, se você se comparar com uma foto de hoje, verá que já estará um caco. Isto é, você está hoje na 'alta', na época ideal de ser vendida, não de ser comprada.
Usando o linguajar de Wall Street, quem a tem hoje deve tê-la em 'trading position' (posição para comercializar), e não de 'buy and hold' (compre e retenha), que é o para quê você se oferece...
Portanto, ainda em termos comerciais, casamento (que é um 'buy and hold') com você não é um bom negócio a médio/longo prazo, mas alugá-la pode ser, e, em termos sociais, um negócio razoável de que podemos cogitar é namorar. Cogitar...
Já cogitando, e para certificar-me do quão 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' você seja, eu, provável futuro locatário dessa 'máquina', quero o que é de praxe: fazer um 'test drive...'
Gostaria de marcar."

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Por que o Nazismo era Socialismo e por que o Socialismo é Totalitário II

Um amigo atentou para a 'injustiça' feita com o Nazismo...


Desse jeito eu acho que fica mais próximo da realidade, então. Ao menos do ponto de vista contábil.

Sábado, 17 de Maio de 2008

Por que o Nazismo era Socialismo e por que o Socialismo é Totalitário

Trecho do excelente artigo "Why Nazism Was Socialism and Why Socialism Is Totalitarian", de George Reisman. Um pouco longo, mas vale a pena!

Disponível orginalmente em http://mises.org/story/1937 .

Por que o Nazismo era Socialismo e por que o Socialismo é Totalitário*

George Reisman**

Minha intenção hoje é expor dois pontos principais: (1) Mostrar que a Alemanha Nazista era um estado socialista, e não capitalista. E (2) mostrar por que o socialismo, compreendido como um sistema econômico baseado na propriedade estatal dos meios de produção, necessariamente requer uma ditadura totalitária.



A caracterização da Alemanha Nazista como um estado socialista foi uma das grandes contribuições de Ludwig von Mises.

Quando nos recordamos de que a palavra “Nazi” era uma abreviatura de “ der Nationalsozialistische Deutsche Arbeiters Partei” – Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães – a caracterização de Mises pode não parecer tão notável. O que se poderia esperar do sistema econômico de um país comandado por um partido com “socialista” no nome além de ser socialista?

Não obstante, além de Mises e seus leitores, praticamente ninguém pensa na Alemanha Nazista como um estado socialista. É muito mais comum se acreditar que ela representou um forma de capitalistmo, aquilo que comunistas e marxistas em geral têm alegado.

A base do argumento de que a Alemanha Nazista era capitalista é o fato de que a maioria das industrias foram aparentemente deixadas em mãos privadas.

O que Mises identificou foi que a propriedade privada dos meios de produção existia apenas nominalmente sob o regime Nazista, e que o verdadeiro conteúdo da propriedade dos meios de produção residia no governo alemão. Pois era o governo alemão e não o proprietário privado nominal quem decidia o que deveria ser produzido, em qual quantidade, por quais métodos, e a quem seria distribuído, bem como quais preços seriam cobrados e quais salários seriam pagos, e quais dividendos ou outras rendas seria permitido ao proprietário privado nominal receber. A posição do que se alega terem sido proprietários privados era reduzida essencialmente à função de pensionistas do governo, como Mises demonstrou.

A propriedade governamental “de fato” dos meios de produção, como Mises definiu, era uma conseqüência lógica de princípios coletivistas fundamentais adotados pelos nazistas como o de que o bem comum vem antes do bem privado e de que o indivíduo existe como meio para os fins do Estado. Se o indivíduo é um meio para os fins do Estado, então, é claro, também o é sua propriedade. Do mesmo modo em que ele pertence ao Estado, sua propriedade também pertence.

Mas o que especificamente estabeleceu o socialismo “de fato” na Alemanha Nazista foi a introdução do controle de preços e salários em 1936. Tais controles foram impostos como resposta ao aumento na oferta de dinheiro [N.T.] praticada pelo regime nazista desde a época da sua chegada ao poder, no início de 1933. O governo nazista aumentou a oferta de dinheiro no mercado como meio de financiar o vasto aumento nos gastos governamentais devido a seus programas de infra-estrutura, subsídios e rearmamento. O controle de preços e salários foi imposto em resposta ao aumento de preços resultante desta inflação.

O efeito causado pela combinação entre inflação e controle de preços foi a escassez, ou seja, a situação na qual a quantidade de bens que as pessoas tentam comprar excede a quantidade disponível para a venda.

As escassezes, por sua vezes, resultam em caos econômico.Não se trata apenas da situação em que consumidores que chegam mais cedo estão em posição de adquirir todo o estoque de bens, deixando o consumidor que chega mais tarde sem nada – uma situação a que os governos tipicamente respondem impondo racionamentos. Escassezes resultam em caos por todo o sistema econômico. Elas tornam aleatória a ditribuição de suprimentos entre as regiões geográficas, a alocação de um fator de produção dentre seus diferentes produtos, a alocação de trabalho e capital dentre os diferentes ramos do sistema econômico.

Face à combinação de controle de preços e escassezes, o efeito da diminuição na oferta de um item não é, como seria em um mercado livre, o aumento do preço e da lucratividade, operando o fim da diminuição da oferta, ou a reversão da diminuição se esta houver ido longe demais. O controle de preços proíbe o aumento do preço e da lucratividade. Ao mesmo tempo, as escassezes causadas pelo controle de preços impedem que aumentos na oferta reduzam o preço e a lucratividade de um bem. Quando há uma escassez, o efeito de um aumento na oferta é apenas a redução da severidade desta escassez. Apenas quando a escassez é totalmente eliminada é que um aumento na oferta necessita de uma diminuição no preço, trazendo consigo uma diminuição na lucratividade.

Como resultado, a combinação de controle de preços e escassezes torna possíveis movimentos aleatórios de oferta sem qualquer efeito no preço ou na lucratividade. Nesta situação, a produção de bens dos mais triviais e desimportantes, como bichinhos de pelúcia, pode ser expandida às custas da produção dos bens importantes e necessários, como medicamentos, sem efeito sobre o preço ou lucratividade de nenhum dos bens. O controle de preços impediria que a produção de remédios se tornasse mais lucrativa conforme a sua oferta fosse diminuindo, enquanto a escassez mesmo de bichinhos de pelúcia impediria que sua produção se tornasse menos lucrativa conforme sua oferta fosse aumentando.

Como Mises demonstrou, para lidar com os efeitos indesejados decorrentes do controle de preços, o governo deve abolir o controle de preçoes ou ampliar tais medidas, precisamente, o controle sobre o que é produzido, em qual quantidade, através de quais métodos, e a quem é distriuído, ao qual me referi anteriormente. A combinação de controle de preços com estas medidas ampliadas constituem a socialização “de fato” do sistema econômico. Pois significa que o governo exerce todos os poderes substantivos de propriedade.

Este foi o socialismo instituído pelos nazistas. Mises o chama de modelo alemão ou nazista de socialismo, em contraste ao mais óbvio socialismo dos soviéticos, ao qual ele chama de modelo russo ou bolchevique de socialismo.

O socialismo, é claro, não acaba com o caos causado pela destruição do sistema de preços. Ele apenas perpetua esse caos. E se introduzido sem a existência prévia de controle de preços, seu efeito é inaugurar este mesmo caos. Isto porque o socialismo não é verdadeiramente um sistema econômico positivo. É meramente a negação do capitalismo e seu sistema de preços. E como tal, a natureza essencial do socialismo é a mesma do caos econômico resultante da destruição do sistema de preços através do controle de preços e salários. (Eu quero demonstrar que a imposição de cotas de produção no estilo bolchevique de socialismo, com a presença de incentivos por todos os lados para que estas sejam excedidas, é uma fórmula certa para a escassez universal da mesma forma como ocorre quando se controla preços e salários.)

No máximo, o socialismo meramente muda a direção do caos. O controle do governo sobre a produção pode tornar possível uma maior produção de alguns bens de especial importância para si mesmo, mas faz isso às custas de uma devastação através de todo o resto do sistema econômico. Isto porque o governo não tem como saber dos efeitos no resto do sistema econômico da sua garantia da produção dos bens aos quais atribue especial importência.

Os requisitos para a manutenção do sistema de controle de preços e salários trazem à luz a natureza totalitária do socialismo – mais obviamente, é claro, na variante alemã ou nazista de socialismo, mas também no estilo soviético.

Podemos começar com o fato de que o auto-interesse financeiro dos vendedores operando sob o controle de preços seja de contornar tais controles e aumentar seus preços. Compradores, antes impossibilitados de obter os bens, estão dispostos, na verdade, ansiosos para pagar estes preços mais altos como meio de garantir os bens por eles desejados. Nestas circunstâncias, o que pode impedir o aumento dos preços e o desenvolvimente de um imenso mercado negro?

A resposta é a combinação de penas severas com uma grande probabilidade de ser pego e, então, realmente punido. É provável que meras multas não gerem a dissuasão necessária. Elas serão tidas como simplesmente um custo adicional. Se o governo deseja realmente fazer valer o controle de preços, é necessário que imponha penalidades comparadas àquelas dos piores crimes.

Mas a mera existência de tais penas não é o bastante. O governo deve tornar realmente perigosa a condução de transações no mercado negro. Deve fazer com que as pessoas temam que agindo desta maneira possam, de alguma maneira, ser descobertas pela polícia, acabando na cadeia. Para criar tal temor, o governo deve criar um exército de espiões e informantes secretos. Por exemplo, o governo deve fazer com que o dono da loja e o seu cliente tenham medo de que, caso venham a se engajar em uma transação no mercado negro, algum outro cliente na loja vai lhe informar.

Devido à privacidade e sigilo em que muitas transações no mercado negro ocorrem, o governo deve ainda fazer com que qualquer participante de tais transações tenha medo de que a outra parte possa ser um agente da polícia tentando apanhá-lo. O governo deve fazer com que as pessoas temam até mesmo seus parceiros de longa data, amigos e parentes, pois até eles podem ser informantes.

E, finalmente, para obter condenações, o governo deve colocar a decisão sobre a inocência ou culpa em casos de transações no mercado negro nas mão de um tribunal administrativo ou seus agentes de polícia presentes. Não pode contar com julgamentos por júris, devido à dificuldade de se encontrar numero suficiente de jurados dispostos a condenar a vários anos de cadeia um homem cujo crime foi vender alguns quilos de carne ou um par de sapatos acima do preço máximo fixado.

Em suma, a partir daí o requisito apenas para a aplicação das regulações de controle de preços é a adoção de características essenciais de um estado totalitário, nominadamente o estabelecimento de uma categoria de “crimes econômicos”, na qual a pacífica busca pelo auto-interesse material seja tratada como uma ofensa criminosa grave, e o estabelecimento de um aparato de polícia totalitário repleto de espiões e informantes e o poder de prisões arbitrárias.

Claramente, a aplicação e fiscalização do controle de preços requere um governo similar à Alemanha de Hitler ou a Rússia de Stalin, no qual praticamente qualquer um pode ser um espião da polícia e no qual uma polícia secreta existe e tem o poder de prender pessoas. Se o governo não está disposto a ir tão longe, então, nesta medida, o controle de preços se prova inaplicável e simplesmente entra em colapso. O mercado negro, então, assume maiores proporções. (Incidentalmente, não se sugere que o controle de preços foi a causa do reino de terror instituído pelos nazistas. Estes iniciaram seu reino de terror bem antes do decretamento do controle de preços. Como resultado, o controle de preços foi decretado em um ambiente feito para a sua aplicação.

As atividades do mercado negro exigem o cometimento de outros crimes. Sob o socialismo “de fato”, a produção e a venda de bens no mercado negro exige o desafio às regulações governamentais no que diz respeito à produção e à distribuição, bem como o desafio ao controle de preços. Por exemplo, o governo pretende que os bens que são vendidos no mercado negro sejam distribuídos de acordo com seu planejamento, e não de acordo com o do mercado negro. O governo pretende, igualmente, que os fatores de produção usados para se produzir aqueles bens sejam utilizados de acordo com o seu planejamento, e não com o propósito de suprir o mercado negro.

Sobre um sistema socialista “de direito”, como o que existia na Rússia soviética, no qual o ordenamento jurídico do país aberta e explicitamente tornava o governo o proprietário dos meios de produção, toda a atividade do mercado negro, necessariamente, exige a apropriação indébita ou o roubo da propriedade estatal. Por exemplo, considerava-se que os trabalhadores e gerentes de fábricas na Rússia soviética que tiravam produtos destas para vender no mercado negro estavam roubando matéria-prima fornecida pelo Estado.

Além disso, em qualquer tipo de estado socialista, nazista ou comunista, o plano econômico do governo é parte da lei suprema do país. Temos uma boa idéia de quão caótico o chamado processo de planejamento do socialismo é. O distúrbio adicional causado pelo desvio para o mercado negro de materiais e suprimentos para produção é algo que o estado socialista toma como um ato de sabotagem ao planejamento econômico nacional. E sabotagem é como o ordenamento jurídico dos estados socialistas se refere a isto. Em concordância com este fato, atividades de mercado negro são, com freqüência, punidas com pena de morte.

Um fato fundamental que explica o reino de terror generalizado encontrado sob o socialismo é o incrível dilema em que o estado socialista se coloca em relação à massa de seus cidadãos. Por um lado, o estado assume total responsabilidade pelo bem-estar econômico individual. O estilo de socialismo russo ou bolchevique declara abertamente esta responsabilidade – esta é a fonte principal do seu apelo popular. Por outro lado, o estado socialista desempenha essa função de maneira desastrosa, tornando a vida do indivíduo um pesadelo.

Todos os dias de sua vida, o cidadão de um estado socialista tem de perder tempo em infindáveis filas de espera. Para ele, os problemas enfrentados pelos americanos com a escassez de gasolina nos anos 70 são algo normal; só que ele não enfrenta este problema em relação à gasolina – pois ele não tem um carro nem a esperança de jamais ter um – mas em relação a itens de vestimento, verduras, frutas, e até mesmo pão. Pior ainda, ele é forçado a trabalhar em um emprego que não foi por ele escolhido e que, por isso, deve odiar. (Já que sob escassezes, o governo acaba por decidir a alocação de trabalho da mesma maneira que faz com a alocação de fatores de produção materiais.) E ele vive em uma situação de inacreditável superlotação, com quase nenhuma chance de privacidade. (Frente à escassez habitacional, hóspedes são designados a moradias; famílias são obrigadas a compartilharem apartamentos. E um sistema de passaportes e vistos internos é adotado a fim de limitar a severidade da escassez habitacional em áreas mais desejáveis do país.) Expondo suavemente, uma pessoa forçada a viver em tais condições deve ferver de ressentimento e hostilidade.

Contra quem seria lógico que os cidadãos de um estado socialista dirigissem seu ressentimento e hostilidade são não o próprio estado socialista? Contra o mesmo estado socialista que proclamou sua responsabilidade pela vida deles, prometeu uma vida de bençãos, e que é responsável por proporcionar-lhes uma vida de inferno. De fato, os dirigentes de um estado socialista vivem um dilema no qual diariamente encorajam o povo a acreditar que o socialismo é um sistema perfeito em que maus resultados só podem ser fruto do trabalho de pessoas más. Se isso fosse verdade, quem poderiam estas pessoas más serem senão os próprios líderes, que não apenas tornaram a vida um inferno, mas perverteram a este ponto um sistema supostamente perfeito?

A isso se segue que os dirigentes de um estado socialista devem temer seu povo. Pela lógica das suas ações e ensinamentos, o fervilhante e borbulhante ressentimento do povo deveria jorrar e engolí-los numa orgia de vingança sangrenta. Os dirigentes sentem isso, ainda que não admitam abertamente; e portanto a sua maior preocupação é sempre manter fechada a tampa da cidadania.

Conseqüentemente, é verdadeiro mas bastante inadequado dizer apenas coisas como que o socialmo carece de liberdade de imprensa e expressão. Carece, é claro, destas liberdade. Se o governo é dono de todos os jornais e gráficas, se ele decide para quais propósitos a prensa e o papel devem ser disponibilizados, então obviamente nada que o goveno não desejar poderá ser impresso. Se a ele pertencem todos os salões de assembléias e encontros, nenhum pronunciamento público ou palestra que o governo não queira poderá ser feita. Mas o socialismo vai muito além da mera falta de liberdade de imprensa e de expressão.

Um governo socialista aniquila totalmente estas liberdades. Transforma a imprensa e todo foro público em veículos de propaganda histérica em prol de si mesmo, e pratica cruéis perseguições a todo aquele que ouse desviar-se uma polegada da linha do partido oficial.

A razão para isto é o medo que o dirigente socialista tem do povo. Para se proteger, eles devem ordenar que o ministério da propaganda e a polícia secreta corram atrás do prejuízo. Um deve tentar desviar constantemente a atenção do povo da responsabilidade do socialismo, e dos dirigentes socialistas, sobre a miséria do povo. O outro deve desestimular e silenciar qualquer pessoa que possa mesmo que remotamente sugerir a responsabilidade do socialsmo ou de seus dirigentes – desestimular qualquer um que comece a mostrar sinais de estar pensando por si mesmo. É por causa do terror dos dirigentes, e da sua necessidade desesperada de encontrar bodes-expiatórios para as falhas do socialismo, que a imprensa de um país socialista está sempre cheia de histórias sobre conspirações e sabotagens estrangeiras, e sobre corrupçãoe e mau gerenciamento da parte de oficiais subordinados, e por que, periodicamente, é necessário desmascarar conspirações domésticas e sacrificar oficiais superiores e facções inteiras do partido em gigantescos expurgos.

E é por causa do seu terror, e da sua necessidade desesperada de esmagar qualquer suspiro de oposição em potencial, que os dirigentes do socialismo não ousam permitir nem mesmo atividades puramente culturais que não estejam sob o controle do Estado. Pois se o povo se reúne para uma amostra de arte ou um sarau de literário que não seja controlado pelo Estado, os dirigentes devem temer a disseminação de idéias perigosas. Quaisquer idéias não-autorizadas são idéias perigosas, pois podem levar o povo a pensar por si mesmo e, a partir daí, começar a pensar sobre a natureza do socialismo e de seus dirigentes. Estes devem temer a reunião espontânea de qualquer punhado de pessoas em uma sala, e usar a polícia secreta e seu aparato de espiões, informantes, e mesmo o terror para impedir tais encontros ou ter certeza de que seu conteúdo é inteiramente inofensivo do ponto de vista do Estado.

O socialismo não pode ser mantido por muito tempo, exceto através do terror. Assim que o terror é relaxado, ressentimento e hostilidade logicamente começam a jorrar contra seus dirigentes. O palco está montado, então, para uma revolução ou uma guerra civil. De fato, na ausência de terror, ou, mais corretamente, de um grau suficiente de terror, o socialismo seria caracterizado por uma infindável série de revoluções e guerras civis, conforme cada novo grupo dirigente se mostrasse tão incapaz de fazer o socialismo funcionar quanto foram seus predecessores. A inescapável conclusão a ser traçada é a de que o terror experimentado nos países socialistas não foi simplesmente culpa de homens maus, como Stalin, mas algo que brota da natureza do sistema socialista. Stalin vem à frente porque sua incomum perspicácia e disposição no uso do terror foram as características específicas mais necessárias para um líder socialista se manter no poder. Ele ascendeu ao topo através de um processo de seleção natural socialista: a seleção do pior.

É preciso antecipar um possível mal-entendido em relação à minha teses de que o socialismo é totalitário por natureza. Diz respeito aos países supostamente socialistas dirigidos por social-democratas, como a Suécia e outros países escandinavos, que claramente não são ditaduras totalitárias.

Neste caso, é necessário que se entenda que não sendo estes países totalitários, não são também socialistas. Os partidos que os governam podem até sustentar o socialismo como sua filosofia e seu fim último, mas socialismo não é o que eles implementaram como seu sistema econômico. Na verdade, o sistema econômico vigente em tais países é a economia de mercado obstruída, como Mises definiu. Ainda que seja mais obstruído do que o nosso em aspectos importantes, seu sistema econômico é essencialmente similar ao nosso, no qual a força motora característica da produção e da atividade econômica não é o governo, mas sim a iniciativa privada motivada pela perspectiva de lucro.

A razão pela qual social-democratas não estabelecem o socialismo quando estão no poder, é que eles não estão dispostos a fazer o que seria necessário. O estabelecimento do socialismo como um sistema econômico requere um ato massivo de roubo – os meios de produção devem ser expropriados de seus donos e tomados pelo Estado. É virtualmente certo que tais expropriações provoquem grande resistência por parte dos proprietários, resistência que só pode ser vencida pelo uso de força bruta.

Os comunistas estavam e estão dispostos a usar esta força, como evidenciado na União Soviética. Seu caráter é o dos ladrões armados preparados para matar se isso se mostrar necessário para dar cabo dos seus planos. O caráter dos social-democratas, em contraste, é mais próximo dos batedores de carteira, que podem falar em coisas grandes algum dia, mas que de fato não estão dispostos a praticar a matança que seria necessária, e então desistem ao menor sinal de resistência séria.

Já os nazistas, em geral não tiveram que matar para expropriar a propriedade dos alemães, fora os judeus. Isto porque, como vimos, eles estabeleceram o socialismo discretamente, através do controle de preços, que serviu para manter a aparência de propriedade privada. Os proprietários eram, então, privados da sua propriedade sem saber e, portanto, sem sentir a necessidade de defendê-la pela força.

Creio ter demonstrado que o socialismo – o socialismo de verdade – é totalitário pela sua própria natureza.


* Este artigo é fruto de uma palestra dada no seminário "The Economics of Fascism, Supporters Summit 2005", no Mises Institute. O copyright © 2005 pertence a George Reisman. É dada a permissão para reprodução e distribuição eletrônica e impressão, exceto como parte de livro. (Notificação por email necessária).Todos os direitos reservados.

** George Reisman, Ph.D., é professor de economia (aposentado) na Graziadio School of Business and Management da Pepperdine University, em Los Angeles, e é o autor de Capitalism: A Treatise on Economics (Ottawa, Illinois: Jameson Books, 1996), do qual partes deste artigo foram retiradas. Seu website é www.capitalism.net. Contate-o, veja o seu Arquivo de Artigos Diários, e comente no seu blog.

[N.T.] Do original “ inflation of the money supply”



Tradução: Fábio M. Ostermann



Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Um país sério(?)


Reza a lenda que Charles De Gaulle teria proferido, no transcorrer de uma crise diplomática entre Brasil e França, a célebre frase “O Brasil não é um país sério”. Isto se deu na década de 60, quando pesqueiros franceses foram apreendidos na costa brasileira, causando irritação ao General, então presidente da França. Desde então, muita coisa mudou e, no início de maio, o Brasil deu um importante passo rumo ao reconhecimento internacional das mudanças institucionais que vêm sendo operadas aqui no decorrer dos últimos 20 anos. Na euforia da excelente novidade da concessão do “grau de investimento” pela agência de classificação de risco Standard & Poors, Lula afirmou que “o Brasil foi declarado um país sério”.


Incidentalmente, na mesma semana tivemos notícias de que a despeito da imprecisão da análise preconceituosa de De Gaulle, um típico homem do século XIX (diz-se, inclusive, que o “sério” da frase foi incluído pelo embaixador brasiliero em Paris, como forma de amenizar a crise), ainda estamos um pouco longe de sermos, de fato, “um país sério”. Para que o Brasil possa ser um país sério, suas instituições devem agir como tal. Não foi o que ocorreu no decorrer da semana passada, quando juízes de 9 estados brasileiros proíbiram militantes pela descriminalização da maconha de realizar a chamada “Marcha da Maconha”. Tal evento se propunha a ser uma manifestação pública e pacífica portadora de um questionamento importantíssimo: por que tratar criminalmente o porte e a venda de maconha?


Nossos insuspeitos juízes alegaram que os participantes da marcha, caso mantivessem seu intento, estariam incorrendo em crime tipificado no artigo 33, § 2o ,da Lei de Tóxicos, que prevê pena de detenção, de 1 a 3 anos, e multa de 100 a 300 dias-multa para quem induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga. Fosse o Brasil realmente um país sério, nossos nobres operadores do direito atentariam para o absurdo da situação e alardeariam a gravidade de tal medida.


Além da clara inconstitucionalidade, por atentar contra as liberdades de expressão, reunião e associação, dispostas no artigo 5o, incisos IV, XVI e XVII, da CF, a proibição da realização da marcha gera grave dano ao Estado Democrático de Direito ao confundir a defesa da liberdade de escolher se se deve ou não praticar uma conduta não-lesiva a terceiros com o incitamento direto à prática de tal conduta. Segundo a interpretação dada, o mero ato de defender a descriminalização de determinada conduta configuraria apologia à prática da mesma. Ou seja, para os digníssimos juízes, portar faixas dizendo “Sim à legalização” seria o mesmo que dizer “Fume maconha!”. Agora, convenhamos: isto é uma palhaçada ou isto é uma palhaçada? A resposta não poderia ser mais simples: isto é uma palhaçada!


Sendo o Direito um produto cultural do Homem, ele está sempre em processo de mudança, evoluindo (ou involuindo, dependendo da perspectiva de quem vê) a cada dia, a cada mês e a cada ano. Condutas que ontem eram proibidas, hoje são tidas como aceitáveis, e vice-versa. Na ausência de questionamentos, manifestações e debates, livres, públicos e abertos, o direito tem sua evolução e seu desenvolvimento cerceados, não pode acompanhar as mudanças nos valores da sociedade.


A questão das drogas urge, mas os acontecimentos da primeira semana de maio de 2008 devem servir para lembrar-nos de que devemos permanecer vigilantes a agressões a liberdades fundamentais que nos são (ou ao menos deveriam ser) tão caras e que não sem luta foram obtidas. Aí, talvez algum dia possamos dizer sem titubear: o Brasil é um país sério!

Domingo, 11 de Maio de 2008

French Jokes




Um excelente filão humorístico se tornou especialmente popular nos EUA após 2003: as Piadas Francesas. Como eu sou fascinado pela inextricável relação existente entre a Política e a Comédia, aí vão algumas chamadas French Jokes. E por serem estas piadas produto da imagem que uma cultura (anglo-saxônica) cultiva de outra, não poderiam ser traduzidas, pois a língua é um elemento central na cultura de um país. Portanto, vamos de inglês, mesmo.

Ainda, além das piadas, selecionei algumas frases (supostamente) verídicas de inegável valor humorístico.


Q: Where can you find 60,100,000 French jokes?
A: In France.

Q: Why do the French call their fighter the "Mirage"?
A: Because it's never seen in a combat zone.

Q. Why don't they have fireworks at Euro Disney?

A. Because every time they shoot them off, the French try to surrender.

Q. Why did the French plant trees along the Champs Elysees?

A. So the Germans could march in the shade.

Q: How many gears does a French tank have?
A: 4 reverse and 1 forward, in case the enemy attacks from the rear.

A cannibal went into the butcher shop to buy some brains for dinner. She saw that American and British brains were $4.95 per lb and French brains were $450.00 per lb. She gasped and asked the butcher if the price of the French brains were a misprint.
“No ma’m,” answered the butcher. “That is the correct price.” “Well, why are the French brains so expensive?” exclaimed the cannibal. “Do you know how many French it takes to get a pound of brains?” replied the butcher.

French Military Rifle for sale on eBay: Never been shot, only dropped once!

Three guys, an Englishman, a Frenchman and an American are out walking along
the beach together one day. They come across a lantern and a genie pops out
of it. "I will give you each one wish, " says the genie.
The Englishman says, "I am a farmer, my dad was a farmer, and my son will
also farm. I want the land to be forever fertile in England." With a blink
of the genie's eye, 'FOOM' - the land in England was forever made fertile
for farming.
The Frenchman was amazed, so he said, "I want a wall around France, so that
no one can come into our precious country." Again, with a blink of the
Genie's eye, 'POOF' - there was a huge wall around France.
The American asks, "I'm very curious. Please tell me more about this wall.
The Genie explains, "Well, it's about 150 feet high, 50 feet thick and
nothing can get in or out."
The American says, "Fill it up with water

A French General and his aide Pierre were sitting in a bar during WW2 just as the Germans were marching towards the French border. The General overheard a French soldier and a British soldier talking at a nearby table. The Brit was explaining to the Frenchman that early British Officers wore red uniforms so that their men wouldn't notice if they were wounded and bleeding. Upon hearing the story, the French General said to his aide: "Pierre, go fetch me my brown pants at once!"


Why did the French not have enough air conditioning to protect themselves from the heat this summer?
Because in France even the air conditioners only work 35 hours a week.


”What do you expect from a culture and a nation that exerted more of its national will fighting against Disney World and Big Macs than against the Nazis?”
Dennis Miller


"I would rather have a German division in front of me than a French one behind me."
General George S. Patton

"Going to war without France is like going deer hunting without your accordion."
Norman Schwartzkopf


"We can stand here like the French, or we can do something about it."
Marge Simpson

"I just love the French. They taste like chicken!"
Hannibal Lecter


"As far as I'm concerned, war always means failure."
Jacques Chirac, President of France

"As far as France is concerned, you're right."
Rush Limbaugh

"You know, the French remind me a little bit of an aging actress of the 1940s who was still trying to dine out on her looks but doesn't have the face for it."
John McCain, U.S. Senator from Arizona


From Reuters

"In response to the recent terror attacks in Spain, the French government have raised their terror alert status from Run to Hide.
If attacks continue on the continent they may be forced to further increase the alert to Surrender, or even as high as Collaborate."

"I don't know why people are surprised that France won't help us get Saddam out of Iraq. After all, France wouldn't help us get the Germans out of France!"
Jay Leno

An old saying: "Raise your right hand if you like the French.... Raise both hands if you are French."


Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Cartãozinho, cartãozinho, cartãozinho...




Mais um sucesso do governo do presidente mais amado da história do Brasil!!

Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Adivinha quem fala!

''Há mais do que nos une ao Bolshevismo do que nos separa dele. Há, acima de tudo, um sentimento genuinamente revolucionário, que está vivo em todo o lugar na Rússia ... Eu sempre considerei essa circunstância, e dei ordens para que ex-Comunistas sejam admitidos no Partido imediatamente. A pequena burguesia Social-Democrata e os sindicalistas nunca serão um Nacional-Socialista, mas o Comunista sempre será.''

''Eu aprendi muito com o Marxismo, como não hesito em admitir. A diferença entre eles e eu é que eu tenho posto em prática o que esses 'revolucionários teóricos' têm começado timidamente ... Eu tive apenas de concluir logicamente que a Social-Democracia falhou repetidamente devido à sua tentativa de realizar a evolução dentro da estrutura democrática. O Nacional-Socialismo é o que o Marxismo poderia ter sido se ele tivesse quebrado suas ligações absurdas e artificiais com a ordem democrática.''


Lênin? Stalin? Trotsky...?

Não...

Adolf Hitler.

http://www.google.com/search?q=%22H%C3%A1+mais+do+que+nos+une+ao+Bolshevismo%22&hl=en&start=10&sa=N&filter=0

Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Jiu-jitsu é de direita; pilates é de esquerda

É o que afirma Diogo Mainardi.
http://veja.abril.com.br/idade/podcasts/mainardi/


David Mamet e o jiu-jítsu

David Mamet bandeou da esquerda para a direita. Ele é o maior dramaturgo americano. Apesar disso, o anúncio de sua virada de casaca rendeu muito mais comentários na Inglaterra do que nos Estados Unidos. Os intelectuais ingleses ainda se animam com esses duelos ideológicos do século passado, sobretudo quando, depois da réplica e da tréplica, um dos debatedores perde a compostura e decide enfiar na roda a mulher do outro. Eu sou igual aos ingleses: é sempre uma farra acompanhar brigas ideológicas, e fica ainda melhor quando elas descambam para o ataque rasteiro. Os jornais ingleses citaram outros autores que renunciaram à palermice esquerdista e passaram para o lado mais desencantado e desafiador da direita: de Kingsley Amis a Paul Johnson, de Noel Coward a Christopher Hitchens. Nos Estados Unidos, o pessoalzinho da cultura é infinitamente mais aborrecido e só pensa na bilheteria. No Brasil, a gente só pensa no BNDES.

David Mamet é um praticante de jiu-jítsu brasileiro. Ele está terminando de rodar um filme sobre o assunto: Faixa Vermelha. Alguém tem de investigar seriamente qual foi o papel do jiu-jítsu na reviravolta política de David Mamet. Pode ser que a gente descubra que Minotauro foi o brasileiro que mais influenciou a sociedade americana desde Tom Jobim. Pode ser que a gente descubra que nossa maior contribuição para o desenvolvimento das artes foi a chave-de-braço. O jiu-jítsu – assim como as outras artes marciais – tem um óbvio componente de direita. O princípio é simples: a humanidade pode ser muito hostil, e cada um de nós tem de aprender a se defender sozinho, sem confiar na benevolência alheia ou na do estado. O pit-boy Mamet levou o ensinamento até o fim. Entrou no octágono da política e saiu batendo com a direita.

Se o jiu-jítsu é de direita, o pilates só pode ser de esquerda. Dilma Rousseff, a Miss Pacderme, emagreceu doze quilos com o pilates. No pilates, você não se esforça – é o aparelho que faz tudo por você. Nada pode ser mais genuinamente esquerdista do que isso. É a idéia de que sempre há uma estrutura capaz de resolver todos os empecilhos. O pilates é o maior cabo eleitoral de Dilma Rousseff. Ela emagraceu doze quilos para se candidatar à presidência. O futuro dela é engordar tudo de novo.

Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Por que os Correios entram em greve


As sucessivas greves dos funcionários dos Correios (eles pararam também ano passado, lembra?!) se por um lado trazem um prejuízo difícil de estimar podem ter sua contrapartida positiva. É claro que para que a mudança realmente necessária acontecesse seria necessária uma consciência crítica da qual a sociedade, a opinião pública e mesmo a chamada "grande mídia"carecem. É uma pena.

O primeiro questionamento a ser feito é o porquê de tantas greves. Algum mais afoito poderia, de cara, responder: é porque os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ganham mal. Errado: os vencimentos dos funcionários dos Correios estão, como em grande parte das empresas e repartições públicas, acima do valor de mercado para a mesma qualificação exigida pelo ofício.

Mas mesmo que os funcionários da ECT ganhassem mal, a greve não seria uma conseqüência natural disso. Ora, há tantas greves pelo fato de que, no caso, o que está em jogo é a res publica - a coisa pública.

Quando as lideranças sindicais de trabalhadores da iniciativa privada se reúnem com os patrões, em geral o fazem com empresários, profissionais do ramo, comprometidos com a redução de gastos desnecessários e a maximização dos resultados. Em geral sabem que um aumento excessivo pode ocasionar perda de competitividade à empresa, podendo levar à perda de emprego de colegas.

Já no caso dos sindicatos de trabalhadores da iniciativa pública (sejam eles estatutários ou CeLeTistas), a negociação procede de maneira diferente. O encarregado da mediação é, não raro, detentor de um cargo político. Políticos, assim como empresários, estão sujeitos à supremacia do consumidor. Se deixarem seus consumidores (o eleitorado) descontentes (algo que um bom sindicato pode facilmente providenciar), não serão eleitos ou reeleitos – o que equivale à falência dos empresários. Isto somado ao fato de que os políticos não administram seu próprio dinheiro, mas sim o do contribuinte (que está muito longe pra reclamar), gera um incentivo forte demais para que o agente não aja como se o dinheiro fosse seu. E é bem sabido que não se é tão diligente com o dinheiro do outro (especialmente se ele não tem cara) como se é com o seu.

No fim das contas, o sindicato pressiona e o político amacia...

Mas o segundo, e não menos importante, questionamento que tal situação deve trazer é: por que é PÚBLICO? E por que um MONOPÓLIO??


A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos desenvolve suas atividades em caráter de monopólio, ou seja, sem competição. Se eu, porventura, quiser comprar uma kombi e começar a entregar cartas mediante pagamento pelo serviço prestado, estarei incorrendo em atividade ilegal.


A Lei nº 6.538, de 22 de junho de 1978, é clara em seu artigo 9º:


Art. 9º - São exploradas pela União, em regime de monopólio, as seguintes atividades postais:

I - recebimento, transporte e entrega, no território nacional, e a expedição, para o exterior, de carta e cartão-postal;

II - recebimento, transporte e entrega, no território nacional, e a expedição, para o exterior, de correspondência agrupada:

III - fabricação, emissão de selos e de outras fórmulas de franqueamento postal.



A justificação para o impedimento do desempenho de tais atividades pela iniciativa privada é, como sempre, o fato de se tratar de “serviço essencial”. De fato, trata-se de uma atividade de grande importância. E é justamente por isso que deve ser aberta à concorrência. A competição com empresas privadas orientadas pela busca do lucro agirá como a necessidade que faria o sapo (a ECT) pular. Caso não pule, deve ser privatizada.

Ken Schoolland, em seu genial “As Aventuras de Jonas, o Ingênuo:uma odisséia rumo ao conhecimento ” (“The Adventures of Jonathan Gullible: a free market odyssey”), traz uma fábula, encontrada em seu capítuo 16, que se faz necessária nestes dias. É o que passo a transcrever:



“Há muito tempo atrás, havia uma tartaruga chamada Francisco e uma lebre chamada Leandro. Os dois eram carteiros, enregavam cartas em todas as casas de sua pequena vila de animais. Um dia, Francisco, cujos ouvidos afiados eram muito mais eficientes do que suas pernas, escutou alguns dos vizinhos elogiando Leandro por ser tão rápido ao fazer as entregas. Em poucas horas, ele era capaz de fazer o que outros levavam dias. Enraivecido com aquele menosprezo, Francisco arrastou-se até eles e intrometeu-se na conversa:

'Lebre', – disse Francisco, quase tão lentamente como caminhava, 'aposto que em uma semana vou conseguir mais clientes do que você. Aposto minha reputação nisso'

O desafio espantou Leandro: 'Sua reputação? Ha! O que todos pensam de você não é coisa que valha colocar numa aposta!' – exclamou a irriquieta lebre. 'Não importa, de qualquer forma eu aceito!' Os vizinhos zombaram e disseram que a lenta tartaruga não tinha chance alguma. Para provar, todos concordaram em se reunir naquele mesmo local, em uma semana, para decidir quem seria o vencedor. Enquanto Leandro saía correndo para se preparar, Francisco simplesmente ficou parado, ali, por um bom tempo. Por fim, virou-se e foi embora, passo a passo.'

'Leandro mandou, pelo correio, para todos no território a notícia de que estava baixando ainda mais os preços dos seus serviços – para menos da metade daqueles cobrados por Francisco. E que, dali em diante, as entregas seriam feitas duas vezes por dia, inclusive nos fins de semana e feriados. Quando a lebre passava em cada bairro, tocando uma sineta, os moradores lhe entregavam cartas, compravam selos, e material para correspondência, e até pesavam e empacotavam encomendas no local. Por uma pequena taxa, ele prometia fazer as entregas em qualquer horário – fosse dia ou fosse noite. E sempre dava um sorriso sincero, amigo, sem cobrar nada a mais por isso. Sendo eficiente, criativo e agradável, a lebre viu sua lista de clientes crescer rapidademente.

Da tartaruga, nem a sombra. Ao final da semana, certo da vitória, Leandro correu para encontrar os juízes do bairro. Para surpresa sua, a tartaruga já estava lá, esperando por ele. 'Sinto muito, Leandro,' – disse a tartaruga no seu modo de falar arrastado e glacial. 'Enquanto você estava correndo de casa em casa, eu tenho só esta carta para entregar.' Francisco entregou a Leandro um documento e uma caneta, acrescentando: 'Por favor assine na linha pontilhada.'

'O que é isto?' – perguntou Leandro.

'Nosso rei nomeou a mim, tartaruga, Agente Postal Geral, e autorizou-me a entregar todas as cartas do país. Lament, lebre, mas você tem que abandonar todas as entregas.'

'Mas não é possível!' – disse Leandro, batendo o pé, de raiva. 'Isso não é justo!'

'Foi justamente isso que disse o rei' – respondeu a tartaruga. 'Não é justo que alguns de seus súditos usufruam melhores serviços do que outros. Sendo assim, ele me concedeu o monopólio exclusivo, para garantir a todos a mesma qualidade de serviços.'

Indignado, Leandro entregou seu distintivo à tartaruga, perguntando: 'Como você conseguiu que ele fizesse isso? O que você ofereceu a ele?'

As tartarugas não conseguem sorrir com facilidade, mas ele deu um jeito de erguer os cantos da boca. 'Eu assegurei ao rei que ele poderá mandar todas as suas mensagens gratuitamente. E, é claro, lembrei-o de que, tendo toda a correspondência do reino em mãos leais, será mais fácil para ele vigiar a conduta de súditos rebeldes. Se eu perder uma carta aqui ou ali, bem... quem é que vai reclamar?'

'Mas você sempre perdeu dinheiro trabalhando com entrega de correspondência!' – disse a lebre, irritada. 'Quem vai pagar por isso?'

'O rei vai fixar uma tarifa que garantirá o meu lucro. Se as pessoas pararem de enviar cartas, os impostos cobrirão o meu prejuízo. Em pouco tempo, ninguém vai sequer lembrar que eu já tive um concorrente.'



Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Beijing 2008

No ritmo da truculência da polícia chinesa e dos famosos fuzilamentos em que as balas são cobradas da família do "criminoso", aí vai esta genial charge (se é que alguém ainda não viu!):




Terça-feira, 18 de Março de 2008

Milton Friedman fala sobre ganância


Repare na cara de cu do cara (para não falar do cabelo...).

Friedman, mais uma vez, matando a pau.

Segunda-feira, 17 de Março de 2008

Quotes II

Vejam essas, que belezinhas:

"Every faculty in one man is the measure by which he judges of the like faculty in another. I judge of your sight by my sight, of your ear by my ear, of your reason by my reason, of your resentment by my resentment, of your love by my love. I neither have, nor can have, any other way of judging about them."
The Theory of Moral Sentiments - Adam Smith

"Nothing is more unpopular today than the free market economy, i.e., capitalism. Everything that is considered unsatisfactory in present-day conditions is charged to capitalism. The atheists make capitalism responsible for the survival of Christianity. But the papal encyclicals blame capitalism for the spread of irreligion and the sins of our contemporaries, and the Protestant churches and sects are no less vigorous in their indictment of capitalist greed. Friends of peace consider our wars as an offshoot of capitalist imperialism. But the adamant nationalist warmongers of Germany and Italy indicted capitalism for its "bourgeois" pacifism, contrary to human nature and to the inescapable laws of history. Sermonizers accuse capitalism of disrupting the family and fostering licentiousness. But the "progressives" blame capitalism for the preservation of allegedly outdated rules of sexual restraint. Almost all men agree that poverty is an outcome of capitalism. On the other hand many deplore the fact that capitalism, in catering lavishly to the wishes of people intent upon getting more amenities and a better living, promotes a crass materialism. These contradictory accusations of capitalism cancel one another. But the fact remains that there are few people left who would not condemn capitalism altogether."
Ludwig von Mises, Planned Chaos


"Freedom is indivisible. As soon as one starts to restrict it, one enters upon a decline on which it is difficult to stop."
Ludwig von Mises, Human Action



E last, but not least, o saudoso Bob Fields:

"Com o atraso das reformas estruturais e das privatizações, o Brasil fica longe de realizar seu potencial. Poderia tornar-se um tigre e se comporta como uma anta..."

"Os comunistas sempre souberam chacoalhar as árvores para apanhar no chão os frutos. O que não sabem é plantá-las..."

"Foi precisamente o capitalismo 'selvagem' dos americanos, que fala mais em individualismo que em solidariedade, mais em competição que em compaixão, que se provou o mais 'includente', criando empregos não só para os nativos mas para milhões de 'excluídos' de outros continentes."

"Apesar de intransigentemente privatista, advogaria a estatização da pena de morte, que é hoje indústria rentável em Alagoas e na Baixada Fluminense."

"Sou chamado a responder rotineiramente a duas perguntas. A primeira é 'haverá saída para o Brasil?'. A segunda é 'que fazer?'. Respondo àquela dizendo que há três saídas: o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo. A resposta à segunda pergunta é aprendermos de recentes experiências alheias."

Roberto Campos (1917-2001)


Sábado, 1 de Março de 2008

Quotes I



A little government and a little luck are necessary in life, but only a fool trust either of them.
P. J. O'Rourke
The first lesson of economics is scarcity: There is never enough of anything to satisfy all those who want it. The first lesson of politics is to disregard the first lesson of economics.
Thomas Sowell
Economic freedom is an essential requisite for political freedom. By enabling people to cooperate with one another without coercion or central direction, it reduces the area over which political power is exercised.
Milton Friedman

A government which robs Peter to pay Paul, can always count on the support of Paul.
George Bernard Shaw

If you are not free to choose wrongly and irresponsibly, you are not free at all.
Jacob Hornberger

Giving money and power to government is like giving whiskey and car keys to teenage boys.
P.J. O'Rourke

When the government's boot is on your throat, whether it is a left boot or a right boot is of no consequence.
Gary Lloyd

Useless laws weaken the necessary laws.
Montesquieu

The inherent vice of capitalism is the unequal sharing of the blessings. The inherent blessing of socialism is the equal sharing of misery.
Winston Churchill




Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Reflexões sobre um conflito sem fim



Do excelente livro "Histórias da Guerra"(org. Demétrio Magnoli, Ed. Contexto), do capítulo "Guerras Árabe-Israelenses" (autoria de Cláudio Camargo), vêm duas reflexões muito interessantes sobre a interminável questão árabe-israelense.

Na primeira, o historiador e jornalista Isaac Deutscher (1907-1967), inglês nascido na Polônia, judeu e comunista, sintetiza a questão em seu livro "O Judeu Não-Judeu e outros ensaios" através de uma parábola genial:

"Um homem pula do teto de uma casa em chamas, na qual muitos de sua família já morreram. Consegue salvar-se, mas na queda atinge uma pessoa, quebrando-lhe braços e pernas. Não havia escolha para o que saltou, mas o que ficou ferido culpa o outro por sua desgraça; e este, temendo vingança, surra-o cada vez que o encontra." (p. 16)

A outra, um pouco mais longa mas de profundidade significativa, é do escritor israelense Amós Oz (1939-...), em seu livro "Contra o Fanatismo":

"Os palestinos estão na Palestina porque esta é a sua terra , e a única terra natal do povo palestino [...]. Os judeus israelenses estão em Israel porque não há nenhum outro país no mundo a que os judeus, como povo, poderiam chamar de lar. Como indivíduos, sim, mas não como povo, não como nação. Os judeus foram expulsos da Europa, exatamente da mesma forma que os palestinos foram inicialmente expulsos da Palestina e, em seguida, dos países árabes. Os palestinos tentaram, involuntariamente, viver em outros países árabes. Foram rejeitados, às vezes até humilhados e perseguidos, pela chamada 'família árabe'. Tomaram conhecimento, da maneira mais dolorosa, de sua 'palestinidade', pois não eram desejados como libaneses, como sírios, como egípcios ou como iraquianos. Eles tiveram que aprender, pelo caminho mais difícil, que são palestinos e este é o único país em que eles podem segurar-se.

(...)

O que precisamos é de um compromisso doloroso. Porque ambos os povos amam o país, porque judeus israelenses e árabes palestinos têm raízes históricas e emocionais profundas, diferentes, mas profundas, no país [...]. Se há algo a esperar, isso é um divórcio justo e razoável entre Israel e Palestina. E os divórcios nunca são felizes, mesmo quando são justos. Especialmente esse divórcio específico, que será um divórcio bastante engraçado, porque as duas partes que se divorciam ficarão definitivamente no mesmo apartamento. Ninguém vai se mudar. Como este é muito pequeno, será preciso decidir quem fica com o quarto A e quem fica com o quarto B, e o que se fará em relação à sala de estar [...]. Muito inconveniente. Mas melhor do que o inferno vivo que todos estão enfrentando agora naquele país amado. Palestinos que são diariamente oprimidos, assediados, humilhados, que passam privações por causa do cruel governo militar isralense. O povo israelense que é diariamente aterrorizado por ataques terroristas impiedosos e indiscriminados contra civis, homens, mulheres, crianças, adolescentes, consumidores num shopping. Qualquer coisa é preferível a isto! Sim, um divórcio razoável."


Amén.



Domingo, 16 de Dezembro de 2007

DEFENDENDO O INDEFENSÁVEL



Nestas férias de verão estou tendo a rara oportunidade de dar uma baixa na minha lista de must read books. A leitura do momento é um livro de um cara que eu passei a admirar após ouvir algumas de suas palestras pelo mises.org (em http://www.mises.org/media.aspx , mais especificamente).

Walter Block é professor de economia na Loyola University (New Orleans) e na Mises Univeristy (Auburn) e é um liberal (libertarian, como dizem por lá) militante. O cara dá palestras, participa de programas de TV, rádio, e tem como hobby converter pessoas ao seu (nosso) evangelho por onde passa. Conta ele que em uma oportunidade encontrou 2 jovens neo-nazistas e aproveitou para tentar convertê-los ao axioma libertário da não-agressão:
- Numa sociedade libertária, você pode usar camisetas com suásticas, você pode fazer manifestações contrárias aos direitos de negros, judeus (inclusive Block), homossexuais, ciganos, etc., você pode se recusar a firmar contratos com aqueles que você odeia. O que você não pode é sair agredindo essas pessoas ou suas propriedades.

Esse episódio ilustra a figura ímpar que é Walter Block. No seu livro DEFENDENDO O INDEFENSÁVEL (Defending the Undefendable, 1976), lançado no Brasil em 1993 pela Editora Ortiz e pelo IEE, Block sintetiza de maneira surpreendentemente competente os princípios liberais e aplica-os na defesa de atividades econômicas demonizadas pela sociedade em geral como imorais, perversas, ou simplesmente más. Assim o faz com a prostituta e o seu cafetão (esdruxulamente traduzido como "gigolô"), o traficante e o viciado, o chantagista, o caluniador e o difamador (esquecendo-se do injuriador), o cambista, o herdeiro, o especulador, o poluidor (traduzido como "o que joga lixo", numa tentativa de tradução de littering), o fura-greve e o empregador de mão-de-obra infantil.

Necessário dizer, entretanto, que o autor não concorda, necessariamente, com a prática de tais atividades. Ele se mostra, aliás, bastante conservador no que toca a questões culturais e morais. Mas como bom libertário, não considera que condutas que não atentem contra a propriedade (incluindo-se aí, por óbvio, a própria vida e a integridade física do indivíduo) devam ser criminalizadas. Ou seja, se eu sou contra a prática de determinada conduta tida por mim como imoral, depravada, pervertida, suja, feia, mas que, não obstante, não fere diretamente direitos de terceiros, posso, tão somente, escolher entre firmar ou não acordos voluntários com o indivíduo que a pratica. Mas não tenho o direito de atacar a sua liberdade ou sua propriedade (como bem frisado acima), nem de eleger democraticamente alguém para fazê-lo. Afinal, se algo é errado de fazer individualmente, por que não o seria coletivamente??!

É fato que as proposições de Block podem chocar, vez que outra, aos não-iniciados às idéias liberais. Mas é impossível que nada mude na cabeça do leitor após o contato com as idéias provocantes e desafiadoras de Block, sempre entremeadas por ampliações ad absurdum e analogias intrigantes e completamente ignoradas pela opinião pública em geral - como quando compara a conduta do chantagista (criminalizada em qualquer lugar) com a do fofoqueiro (não-criminalizada), demonstrando que o chantagista é muito menos-pior que o fofoqueiro, pois aquele tem a dignidade de cobrar um preço para manter o segredo, enquanto este nem ao menos dá ao envolvido esta opção.

Estas são as armas de Walter Block para demonstrar, como diria Fredéric Bastiat, além do que se vê, aquilo que não se vê. E Block o faz com competência. Afinal, fura-greves, gigolôs, empregadores de mão-de-obra infantil, atravessadores, agiotas, pão-duros, porcos-capitalistas, e publicitários, dentre outros, "têm sido injustamente caluniados. E isso tem de acabar!"

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Isso é o que andaram dizendo sobre o livro:


"Looking through 'Defending the Undefendable' made me feel that I was once more exposed to the shock therapy by which, more than 50 years ago, the late Ludwig von Mises converted me to a consistent free market position. Even now I am occasionally at first incredulous and feel that "this is going too far," but usually find in the end that Block is right. Some may find it too strong a medicine, but it wills till do them good even if they hate it. A real understanding of economics demands that one disabuses oneself of many dear prejudices and illusions. Popular fallacies in economics frequently express themselves in unfounded prejudices against other occupations, and in showing the falsitty of these stereotypes Block is doing a real servic, although he will not make himself more popular with the majority."
--Friedrich August Von Hayek

"Judging from the outraged responses in many libertarian quarters, many of 'our people' are not ready for this exciting and shocking adventure. Since libertarians are, or are supposed to be on the forefront of thought, since their whole lives have been an intellectual adventure in many ways, the hostility becomes even more mysterious."
--Murray N. Rothbard


"Startling and illuminating! Block's lucid defenses often convince: sometimes they lead us to sharpen our attack. In either case, the reader cannot fail to be instructed and challenged by this mind-stretching, provocative, and occasionally infuriating book."
--Robert Nozick

Retirado de http://www.mises.org/store/Defending-the-Undefendable-P136C0.aspx

Domingo, 7 de Outubro de 2007

Sérgio Mallandro pode se candidatar a vereador


Como se a política brasileira já não fosse palhaçada o suficiente...

http://ofuxico.uol.com.br/Materias/Noticias/2007/08/56095.htm

Sérgio Mallandro pode se candidatar a vereador
O apresentador Sérgio Mallandro está pensando em entrar para o cenário político. Serginho está sendo sondado pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) para candidatar-se a vereador por São Paulo.

“Algumas pessoas conversaram comigo, mas vou pensar direitinho”, diz Sérgio para a reportagem de OFuxico.
Sobre suas atuais atividades, Serginho em breve vai estrear um programa seu na TVJB.
Há ainda, uma pequena lista de "famosos" que devem disputar as próximas eleições municipais, em 2008. Destaque para o ex-Polegar e ex-ex-ex-drogado Rafael Ilha e para as ex-dançarinas, cantoras, assistentes de palco, modelos - e atualmente atrizes pornô -, Gretchen e Rita Cadillac. Por oras, apenas partidos notoriamente fisiológicos (PPS, ex-PCB, e PTB, sem comentários) largaram na frente para explorar massivamente o filão aberto por figuras como Clodovil e Frank Aguiar - dentre outros...
Partidos filiam personalidades 'pop' para 'puxar votos' em 2008

Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

Hasta Cuando??!?



Esse vídeo é um documentário da RTP (Rede de Televisão Portuguesa).





Trata-se de um achado. Mostra o Estado de Medo imposto pela ditadura castrista à população cubana.
Ao mesmo tempo em que assusta (como no início, quando da entrevista das crianças), alenta, pois as pessoas estão, aparentemente, perdendo o medo de criticar "el gobierno".
Detalhe para o sempre presente clima de "1984", em que se vive em um estado constante de autopoliciamente - para não se complicar com a polícia - e onde crê-se que todas as mazelas econômicas (e sociais, por conseqüência) sejam causadas pelo grande inimigo externo (os EUA, no caso).

Stalin passou. Mao passou.Por que Fidel não há de passar??!

Assista aqui, ó:

http://www.viddler.com/explore/GuachimenVzla/videos/1/


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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

O Lugar Mais Limpo do Senado Federal

Em 2005 eu estava por Brasília e tirei essa foto. Àquela época, o Senado Federal era exemplo de estabilidade política, integridade e confiabilidade em meio ao turbilhão do surgimento das primeiras denúncias daquilo que ficou conhecido como Mensalão. A foto chega a ser meio premonitória (é claro que prever corrupção no Congresso é algo que envolve tantos riscos quanto apostar contra o América de Natal na Loteria Esportiva, mas creio que poucos imaginava uma crise nestas proporções...). Ela foi tirada pensando que um dia ela viria a calhar - quem sabe servisse pra um trocadilho(entendeu? entendeu?!)...



E quem havia recém sido empossado como presidente da nossa Câmara dos Lordes?? Ele mesmo, o Rei do Gado, RENAN CALHEIROS. Este ser, hoje vítima de uma aproveitadora e da perseguição defenestradora e da sanha sensacionalista (muito bem denunciada por Chris Crocker, aliás, alguns posts abaixo) da Editora Abril, gozava à época de alto prestígio e influência no meio político brasileiro. Do seu prestígio, creio que perdeu um pouco, mas a sua influência, ao que parece até se fortaleceu - o PT que o diga!

Enfim, direto dos fundos do Congresso, O LUGAR MAIS LIMPO DO SENADO FEDERAL!

Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

A Queda de Fidel

Falando em piada...

Piadas


O humor é uma arma importante no combate a ditaduras. Qualquer ditador esperto sabe que não pode haver uma imprensa livre num regime ditatorial. Mas se por um lado é fácil fechar um jornal oposicionista e impedir a circulação de jornais oposicionistas, é praticamente impossível impedir a circulação da boa e velha pilhéria.



E assim, circulavam pela ex-URSS diversas piadas ridicularizando a cúpula do poder. Como, por exemplo esta:


O dissidente pinta em sua casa uma faixa com os dizeres "O PRESIDENTE É UM IDIOTA", quando é surpreendido pela polícia secreta. Famosa por sua truculência, a polícia não quer saber de papo.

Ao que o dissidente tenta se defender dizendo "Espere! Estou fazendo esta faixa para protestar contra o presidente dos EUA, aquele capitalista parasita. Ele é o idiota!". Ao que um dos policiais replica: "Está bem, espertinho, então você acha que nós não sabemos qual presidente é um idiota?"



Mas as melhores da internet (pelo menos em português) são sem dúvida as PIADAS CUBANAS. Boas risadas a seguir:




Um surdo-mudo chega a um bar, passa a mão sobre uma suposta barba e passa o dedo pelo pescoço, como se estivesse sendo degolado.

O garçom serve uma cuba-libre.


**********


Uma professora cubana mostra aos alunos um retrato do presidente Bush, e pergunta à classe:

- De quem é esse retrato?

Silêncio absoluto.

- Eu vou ajudar vocês um pouquinho. É por culpa desse senhor que nós estamos passando fome.

- Ah, professora! É que sem a barba e o uniforme não dava para reconhecer!


******


Fidel está fazendo um de seus famosos discursos:

- E a partir de agora teremos de fazer mais sacrifícios!

- Trabalharemos o dobro! - diz alguém na multidão.

- E teremos de entender que haverá menos alimentos!

- Trabalharemos o triplo! - diz a mesma voz.

- E as dificuldades vão aumentar! - continua Fidel.

- Trabalharemos o quádruplo!

Aí Fidel pergunta ao chefe de segurança:

- Quem é esse sujeito que vai trabalhar tanto?

- El coveiro, mi comandante.


*********


O povo cubano estava todo reunido em uma apresentação pública com o ditador, e o seu assessor olhava para Fidel, virava para o povo e dizia:

- Mira, pueblo de Cuba! Acá está Fidel! Fidel no tiene la barba de Cristo?

E o povo: - La tiene!

- Fidel no tiene los pelos de Cristo?

- Los tiene! - Fidel no tiene lo ojos de Cristo?

- Los tiene!

Um bêbado então berra do meio da turba:

- ENTONCES, POR QUE NO CRUCIFICAR-LO?


**********


Fidel sofre um enfarte, e a família o leva ao hospital.

O médico diz:

- Não há esperança!

O irmão, Raúl, pergunta:

- Ele vai morrer?

- Não. Vai continuar vivo.


**********


- Sabia que Adão e Eva eram cubanos?

- O que faz você pensar isso?

- Não tinham roupas, andavam descalços, não podiam comer maçã e ouviam dizer que estavam num paraíso.


**********


Fidel vai a um centro espírita e, na sessão, consegue conversar com a mãe morta:

- Mãe, no próximo ano eu ainda vou estar no poder?

- Sim, meu filho , vai.

- E o povo vai estar comigo?

- Não. Vai estar comigo.


*********


O governo revolucionário vai tomar todas as providências para que 'nenhum' cubano vá para a cama sem comer.

Vai recolher todas as camas.


*****


Qual o país mais próximo do inferno?

- Cuba.

- Não, o Haiti. Cuba é o inferno


**********


O pai cubano pergunta para o seu filho pequeno:

- O que você quer ser quando crescer?

- Exilado, papá!


Sábado, 22 de Setembro de 2007

Diogo Mainardi na PUCRS




No último dia 17/09, segunda-feira, o cronista/jornalista/polemista Diogo Mainardi esteve na PUCRS participando da 20ª edição do SET Universitários.




Mainardi teve, na ocasião, a oportunidade pela primeira de destilar sua ironia contra todos (inclusive um pequeno número de participantes que chegaram a protagonizar um protesto patético) através de uma palestra ao público universitário.




Confiram nos seguintes links:




Palestra na íntegra (sugiro que se espere carregar toda a palestra antes de assistí-la): http://cyberfam.pucrs.br/capaplone/diogo.mov




Trecho menor (e mais leve): http://www.youtube.com/watch?v=7KfY7RPaffw


Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

Apresentação

Enfim após anos de procrastinação cá estou cumprindo uma daquelas metas de Ano-Novo feitas sabendo que se não vai cumprí-las. Eis o meu blog!



Mas para que serve um blog? E por que eu, Fábio, preciso de um blog??



Veja bem...

Um blog serve (imagino eu) para muitas coisas. Particularmente, pretendo utilizar este espaço para postar artigos, notícias, piadas, fofocas, imagens, entrevistas, arquivos de áudio (assim que eu desvendar todos os mistérios da blogagem, é claro), etc.



A temática deverá variar de acordo com meu humor, já aviso de antemão. O viés ideológico da minha abordagem, caso não tenham percebido, é o liberal. O que isso significa? Bom, para fins didáticos, sugiro que se dê uma olhada nestes link que remetem ao chamado Diagrama de Nolan:

http://www.geocities.com/~freewillie/Nolan-Chart.gif

http://en.wikipedia.org/wiki/Nolan_chart



Liberais são aqueles abençoados indivíduos que se localizam no extremo superior direito (opa, não somos de direita; nem tampouco de esquerda!) do diagrama, sendo defensores extremos das liberdades econômicas e civis. Nos países de língua inglesa se deu um fênomeno interessante, através do qual os partidos de esquerda (social-democratas, já que em parte do mundo civilizado não existem partidos comunistas) passaram a se arvorar o título de herdeiros da tradição liberal iluminista. Assim, passaram a se chamar liberals (também referidos como left-wing). Por tal motivo, o Diagrama de Nolan chama a nós liberais de Libertarians.





Mas e por que eu, Fábio, preciso de um blog??



Bom, tá aí uma boa pergunta. Não sei nem porque comecei escrevendo isso. Acho até que eu não preciso. Mas crio este por acreditar na internet como ferramenta de divulgação de idéias e fomento a debates. Enfim, não tenho a preocupação sobre se este blog vai ser lido ou não. Se isto vier a ocorrer, será, de fato, fruto de um árduo trabalho, força de vontade, determinação, trabalho de equipe e... bola na rede!



Abraço a todos!



Divirtamo-nos, pois!!