Custos de transação anteriormente envolvidos no comércio internacional foram dramaticamente reduzidos. Exemplo disso são sites como o eBay, que atua como intermediário na compra e venda de uma variedade inimaginável de produtos. Com mais de 90 milhões de usuários ativos em todo o mundo e um volume de transações passando dos 60 bi em 2009, o que distingue o eBay das empresas tradicionais de intermediação de vendas é que os produtos negociados no site não passam nem perto da sede da empresa, em San Jose (EUA): compradores e vendedores se encontram no website e transacionam produtos através de leilão ou compra direta.

Por uma pequena taxa de administração cobrada por produto vendido, o eBay fornece um arranjo institucional que torna a compra no site uma experiência simples, fácil e segura. O sistema de “reputação”, pontuação acumulada por vendedores e compradores baseada nas avaliações das partes após cada transação, é o grande diferencial na diminuição de um dos mais importantes custos imbuídos em uma transação: o custo da informação.
Apesar de o eBay não exigir qualquer forma de identificação oficial por parte de vendedores e compradores, o sistema de reputação tende a funcionar bastante bem. Compradores dão preferência a vendedores com boa reputação (e chegam a pagar mais caro por isso), e estes se esmeram para alcançar boa reputação (muitas vezes vendendo produtos a preços abaixo do mercado para compensar a desconfiança dos consumidores) e mantê-la.
O desenvolvimento é tamanho que muitos fabricantes e distribuidores mundo afora vendem seus produtos exclusivamente via eBay. É fácil entender esse fenômeno. No varejo tradicional, o vendedor está limitado aos consumidores que se dispõem a enfrentar os custos de deslocamento até o seu ponto de venda. Como as lojas dispõem de espaço limitado para armazenamento de estoque, o vendedor deve ser criterioso com o tipo de bens e serviços a serem oferecidos. Por uma questão de escala, a tendência é que a lista de bens e serviços disponíveis seja bastante limitada se comparada às possibilidades do comércio online.
Um caso verídico ocorrido nos primórdios do eBay (quando ainda se chamava “AuctionWeb”) demonstra o quão cheia de possibilidades inexploradas é a nossa aldeia global. Um dos primeiros itens vendidos no site foi um laser pointer quebrado por US$ 14,83. Surpreso, o vendedor (Pierre Omidyar, co-fundador do site) resolveu entrar em contato com o comprador para certificar-se de que ele havia compreendido as especificações do produto vendido (isto é, que o mesmo se encontrava quebrado). Em seu email de resposta, o comprador afirmou ser “um colecionador de laser pointers quebrados”.
No Brasil, o principal site de compras online (Mercado Livre) parece não ter ainda decolado, devido em grande parte à desconfiança do consumidor brasileiro e à má infraestrutura de transportes no Brasil. Não obstante, o fato de permitir uma melhor divisão do trabalho, mesmo regionalmente (onde os custos de transporte não são tão impeditivos), parece apontar boas perspectivas para esse tipo de comércio no país. Parece ser questão de tempo.
Este novo-velho mundo em que vivemos – onde a vida sem tecnologias absolutamente recentes é inimaginável – apresenta muitos desafios, mas, especialmente, muitas oportunidades. A bolha ponto-com serviu de aviso sobre os riscos do canto dessa sereia chamada internet, mas os exemplos de Mark Zuckerberg (Facebook), Jeff Bezos (Amazon), Pierre Omidyar (Ebay) e Julio Vasconcellos (Peixe Urbano) demonstram que os riscos compensam quando o empreendedorismo e a capacidade de inovação falam mais alto.
(Artigo escrito para o blog do XXIV Fórum da Liberdade. Disponível aqui.)

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